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Devotos manifestam a fé em São Jorge, guerreiro que protege e faz milagres

Conhecido pela fé inabalável e pelos milagres, São Jorge é cultuado em diversas religiões, inclusive as de matriz africana

O dia de São Jorge foi marcado ontem por devoção, pedidos e celebração. No Distrito Federal, muitos brasilienses consideram o santo um protetor e alicerce para superar as adversidades e os obstáculos da vida. O guerreiro é um dos únicos venerados na Igreja Católica Apostólica Romana, na Igreja Ortodoxa e em religiões de matriz africana.

Em 23 de abril de 303 d.C., Jorge foi decapitado porque teria se negado a perseguir cristãos. Desde então, a data homenageia sua trajetória de coragem e fé. O santo ganhou notoriedade pela incansável dedicação ao cristianismo, com uma vida marcada por perseguições, milagres e uma fé inabalável no poder divino.  

O padre Abuna Dario Aphrem Brasil, da paróquia São Jorge e Santo Expedito, em Taguatinga, afirma que São Jorge é uma dos santos mais cultuados do catolicismo. "Tanto na igreja do Oriente quanto na do Ocidente, a devoção popular é muito grande. Todos os anos nós fazemos uma procissão que reúne mais de mil pessoas com uma missa com outros 3 mil fiéis", detalha.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Fernanda Cavalcante -
Fernanda Cavalcante -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -

O padre explica que Jorge nasceu na Capadócia, na região onde hoje fica a Turquia, por volta do ano 280 d.C. "O pai dele era um militar e morreu em batalha. O filho decidiu, então, seguir os passos do pai e virou um grande capitão do Exército. Nessa época, o império romano perseguia os cristãos e Jorge se converteu ao cristianismo, se negando a matar os religiosos, por isso ele foi torturado e condenado à morte", detalha. 

A aposentada Ana Maria José Ribeiro, 55 anos, relata que o laço com São Jorge surgiu na infância, ao ver a mãe e os familiares glorificarem o Santo Guerreiro. "Há 11 anos eu celebro assiduamente essa data. Quando comecei a seguir a tradição familiar eu estava no fundo do poço e, hoje, só tenho bênçãos a testemunhar", conta.

A vigilante Patrícia Martins, 39, detalha que a devoção ao santo iniciou aos 20 anos, quando começou a ler sobre a história de São Jorge. "Comecei a respeitá-lo também por ser muito importante na umbanda e nas religiões de matrizes africanas. Para quem trabalha na área da segurança, ele significa força. Muitas situações pelas quais passei na minha vida eu pedi para São Jorge me proteger e ele estava lá", conta.

Um momento que ela relembra ter sentido forte presença de São Jorge foi quando caminhava para casa por uma rua escura e se deparou com três pessoas, consideradas por ela suspeitas. Com medo de que o pior poderia acontecer, Patrícia pediu segurança ao santo e nada aconteceu com ela. No momento seguinte, ela olhou para o lado e viu a fachada de uma mecânica chamada São Jorge e, desde então, teve absoluta certeza da proteção do guerreiro.

O ator Jorge Guerreiro escolheu o sobrenome artístico por conta do seu guia espiritual no candomblé, Ogum. "Esse nome traz uma força em todas as minhas jornadas", conta. "Ele me constitui no caráter, no ser verdadeiro e leal, me ajuda a buscar coragem e a evoluir", avalia.

Bênção

Na Igreja Ortodoxa São Jorge, localizada na Asa Sul, a data é dedicada ao santo nas tradicionais missas, onde os fiéis levam velas e recebem a bênção com o óleo da unção do monsenhor Agápios Alsayegh. "Ele (São Jorge) é padroeiro dos necessitados, então, todo mundo tem um pedido a fazer por uma certa necessidade. Além da missa, algumas pessoas vêm à tarde para fazer a visita. Vamos lá para cima (do altar) com a vela, a pessoa recebe a bênção e fala sobre os pedidos em frente à imagem de São Jorge", explica.

A carioca Michelle Farias, 51, comunicóloga, tem como tradição realizar a visita à igreja do santo. "No Rio de Janeiro, o Dia de São Jorge é feriado estadual. Eu fui criada em um berço católico e a maior parte dos homens da minha família se chamam Jorge", relata. "Inclusive, eu costumava ir na Cavalgada de São Jorge Guerreiro no Rio, muito conhecida por lá", recorda a carioca que mora em Brasília há 36 anos.

*Colaborou Fernanda Cavalcante, estagiária sob a supervisão de Márcia Machado

 


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