eleições 2026

Jornalistas do Correio trazem questões de primeira ordem a candidatos ao GDF

No bloco inicial do debate, os seis candidatos ao GDF responderam a perguntas feitas por jornalistas do Correio

 Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF.  -  (crédito:       Minervino Junior/CB/D.A Press                                )
Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF. - (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Por Mila Ferreira, Ana Carolina Alves, Vitória Torres, Carlos Silva, Maria Eduarda Lavocat e Pedro José Borges
No primeiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal, organizado pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, jornalistas fizeram perguntas direcionadas aos postulantes, com um adversário comentando.  
A ordem foi definida por sorteio da comissão organizadora com a presença dos assessores de cada campanha: Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo) e Celina Leão (PP).
O Debate do Correio foi apresentado pelo editor de Política, Economia e Brasil, Carlos Alexandre de Souza, e pela colunista Denise Rothenburgh. Participaram da sabatina Adriana Bernardes, Ana Maria Campos, Luiz Carlos Azedo, Mariana Niederauer e Samanta Sallum.
Abrindo a rodada de perguntas, Paula Belmonte afirmou, em resposta à colunista Ana Maria Campos, da Eixo Capital, que sua experiência como administradora, empresária e parlamentar a credencia para assumir a gestão do Executivo. Questionada sobre o desafio de administrar um orçamento bilionário e lidar com conflitos sociais e econômicos, ela colocou a falta de gestão e de transparência entre os principais problemas atuais do DF. “Temos um estudo que 30% do orçamento do DF vai para os ralos, por falta de gestão e corrupção”, afirmou.
A candidata do PSDB criticou a falta de transparência na aplicação dos recursos públicos e citou as áreas de saúde e educação como exemplos. “São orçamentos bilionários, um de R$ 14 bilhões, o outro de R$ 15 bilhões, e que não chegam ao usuário”, disse.
Na educação, Paula afirmou que os problemas de gestão são percebidos na qualidade do ensino e no acesso às escolas. “Hoje, nós temos o pior índice do Ideb de educação. As nossas crianças não estão todas na sala de aula. As mães estão reclamando demais por falta de creche”, destacou.
Pelas regras do Debate do Correio, no primeiro bloco, após a resposta do candidato, o jornalista escolheria outro para comentar a resposta. A jornalista Ana Maria Campos escolheu Celina Leão (PP), que rebateu as críticas de Paula e defendeu sua experiência à frente do GDF em momentos de crise. “Falar sobre gestão é ter a experiência de graves problemas. Acho que eu mostrei capacidade de gestão, como no 8 de Janeiro, em que assumi por 66 dias. Trouxe a cidade à normalidade, não parou nenhum dos serviços públicos e devolvi o poder a quem tinha ganhado a eleição na época”, completou, referirndo-se ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).

Recursos federais

A coordenadora de Produção de Cidades, Adriana Bernardes, trouxe como tema da segunda rodada de perguntas de jornalistas a dependência do orçamento do DF, de aproximadamente R$ 28 bilhões, dos recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). Perguntado sobre como pretende atuar junto ao governo federal, seja de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seja de outro presidente, para garantir os recursos para a capital do país, Leandro Grass rebateu as críticas de que o governo federal estaria atacando o FCDF.
Segundo o candidato petista, houve aumento do fundo durante o governo Lula e redução durante a gestão de Bolsonaro. Sobre a crise do Banco de Brasília (BRB), o postulante afirmou que pretende buscar uma solução por meio do diálogo com o governo federal e outras instituições. “Vou sentar com o BRB com confiança e credibilidade, coisas que não temos hoje, para resolver essa questão”, afirmou.
Na sequência, o candidato José Roberto Arruda teve direito a comentar a resposta. Ele criticou a situação financeira do DF e afirmou que “a capital enfrenta uma crise por falta de recursos e de credibilidade”.

Segurança pública

Ricardo Cappelli (PSB) foi questionado pela colunista Samanta Sallum, da Capital S/A, sobre as razões que o levaram, enquanto representante do campo progressista, a se inspirar na política de “Tolerância Zero” — modelo associado ao ex-prefeito conservador de Nova York Rudy Giuliani e adotado no Distrito Federal pelo ex-governador de direita Joaquim Roriz. “Temos que aproveitar as melhores experiências de cada governo. Eu não fico escolhendo se o resultado foi usado por governo de direita ou de esquerda”, respondeu o candidato.
“No meu programa Tolerância Zero, vou contratar os mais de 7 mil policiais militares que estão faltando. Tivemos 18 mil homens e mulheres na força, hoje, temos pouco mais de 11 mil. Nós vamos voltar com as rondas ostensivas que andam, com Cosme e Damião nas quadras, para dar segurança para as pessoas”, explicou. Cappelli ainda ressaltou o foco no combate aos crimes contra a mulher e no controle da mancha urbana.
Convidado pela jornalista para comentar o posicionamento, Kiko Caputo (Novo) concordou com a priorização da pauta e com o uso da “mão de ferro” contra o crime, mas divergiu do adversário quanto ao resgate de práticas operacionais do passado. “A segurança se faz primordialmente com a presença do Estado nas ruas. É isso que traz a sensação de segurança para a população”, avaliou. “Precisamos investir em tecnologia até conseguirmos recompor as forças de segurança, principalmente a PM, que está com o seu contingente muito defasado”, defendeu.

Gestão do BRB

Perguntado pelo colunista Luiz Carlos Azedo sobre sua segunda chance para comandar o GDF, após ter sido afastado por acusações de corrupção, José Roberto Arruda (PSD) afirmou que foi inocentado e possui experiência. “Sobre os meus processos, as provas foram consideradas nulas. Eu acho que tenho experiência para enfrentar o grave problema que o GDF tem hoje”, disse.
Arruda ressaltou que os valores desviados do BRB poderiam ser investidos em serviços públicos para a cidade. “O BRB foi assaltado. Tiraram R$ 16 bilhões do BRB para o Banco Master. É o preço de construir 35 hospitais, um hospital grande em cada cidade do DF. Tudo isso foi para o ralo”, afirmou. “Para salvar o BRB tem que fechar as 19 agências fora de Brasília. Acabar com esses patrocínios esdrúxulos de Fórmula 1, time de futebol. E diminuir os números de servidores com um plano de demissão voluntária”, ressaltou.
Além disso, o candidato propôs o uso do Fundo do Centro-Oeste. “Isso só se faz com diálogo com o governo federal, seja qual ele que for eleito. São R$ 15 bilhões que, se trazidos para serem aplicados no BRB, vão dar um volume de caixa e liquidez que o banco precisa para sobreviver”, destacou.
Com a oportunidade de comentar a fala do adversário, Leandro Grass (PT) afirmou que a atual situação do DF é “lamentável” e disse que, caso eleito, combaterá irregularidades de forma rígida. “A minha história permite que eu faça esse acordo com vocês, que eu firme esse compromisso. Sou professor de formação, fui deputado distrital, gestor público federal e sou ficha limpa. Não tem nada na minhas costas e estou aqui com credibilidade pra fazer essa afirmação”, ressaltou.

Transparência

Perguntado pela editora do site do Correio, Mariana Niederauer, Kiko Caputo (Novo) afirmou que pretende investir mais de R$ 1 bilhão na recuperação e modernização do metrô do DF. Segundo ele, a proposta faz parte de uma política de redução de desperdícios e maior transparência na gestão pública.
Caputo criticou a atual situação do metrô e afirmou que a ideia é que a estrutura esteja sendo preparada para uma eventual privatização de propósito. Segundo o candidato, a prioridade será primeiro recuperar o sistema com investimentos públicos. “O metrô é um importante modal de transporte que está sendo vergonhosamente sucateado, exatamente para ser entregue ‘na bacia das almas’ para a empresa privada”, declarou.
Convidada para comentar a resposta do adversário, Paula Belmonte (PSDB) criticou a gestão da governadora Celina Leão e do ex-governador Ibaneis Rocha. Para a candidata, a gestão eficiente não pode ser confundida com omissão, o que classificou como principal problema na condução do BRB. “Nós queremos falar que qualidade de gestão não é omissão. O que estamos vendo do governo Celina e Ibaneis é omissão. Por isso, o BRB quebrou”, declarou.
Segundo Paula, a gestão pública deve ser marcada por transparência e fiscalização. “Infelizmente, esse governo atual, que é o governo Celina Leão e Ibaneis Rocha, fez a privatização da CEB, uma privatização criminosa. Deixaram a privatização da Rodoviária do Plano Piloto, que também não traz transparência para as pessoas”, afirmou.

Soluções

Ao final do primeiro bloco, ao ser perguntada pela colunista Ana Maria Campos sobre o FCDF e o BRB serem os dois maiores desafios se for reeleita, Celina Leão (PP) criticou as soluções propostas pelos adversários que, segundo ela, oferecem “soluções mirabolantes” para enfrentar os problemas que assolam o Distrito Federal no momento.
“Tem quatro meses que sou governadora. Eu herdei o problema. Assumi o governo com duas crises. Uma delas é a financeira, mas vamos chegar a dezembro com superavit de R$ 3 bilhões. Solucionei com choque de gestão, redução de contratos. Além disso, fiz três decretos reduzindo despesas, vamos mudar para o Centro Administrativo (antigo Centrad) para reduzir aluguel, cortando custeio”, afirmou Celina.
Sobre a situação do BRB, a atual governadora argumentou que foi a responsável pelo acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que articulou o empréstimo ao banco. “Eu enfrento os problemas, não corri do problema que recebi. As propostas que chegam são absurdas. Temos dialogado, quem vai pagar essa conta é o BRB, que vai conseguir sim o empréstimo, mesmo com todos contra. Ele (o BRB) tem um lucro de R$ 1,8 bilhão e ele vai se pagar. Propostas mirabolantes não têm condição de enfrentar essa crise”, disparou.
O candidato escolhido pela jornalista para comentar a resposta foi Ricardo Cappelli (PSB), que afirmou que quem vai pagar pelo prejuízo do BRB é a população. “O governo deles comandou a roubalheira do BRB e agora querem tomar um empréstimo para você pagar e cobrir o rombo. No meu governo, eu não vou deixar isso acontecer. Vamos salvar o banco dando choque de gestão e cortando os absurdos, agora você não vai pagar esse rombo”, avisou.
  •  Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF.
    Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF. Minervino Junior/CB/D.A Press
  •  Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF.
    Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador do DF. Minervino Junior/CB/D.A Press
  •  01.09.2026 Marcelo Ferreira CB/DA Press. Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador. Celina Leão
    01.09.2026 Marcelo Ferreira CB/DA Press. Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador. Celina Leão Marcelo Ferreira CB/DA Press
  •  01.09.2026 Marcelo Ferreira CB/DA Press. Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador. Paula Belmonte
    01.09.2026 Marcelo Ferreira CB/DA Press. Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador. Paula Belmonte Marcelo Ferreira CB/DA Press
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    01.09.2026 Marcelo Ferreira CB/DA Press. Debate no Correio. Eleições 2026 para Governador. Marcelo Ferreira CB/DA Press

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postado em 02/09/2026 03:15
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