Quero te convidar para um bate-papo hoje. Apesar de você e de mim, temos um cenário político confuso. Mas também por causa do nosso direito de votar a cada quatro anos, igualmente contribuímos para a construção desse contexto. Alguns enfrentarão tristeza e mágoa, outros, alegria com a vitória do candidato escolhido.
As ruas deram um recado claro, que já ecoava nas redes sociais e que também pôde ser visto nas eleições passadas. O país está dividido. E é neste ponto que eu queria chegar, como adiantei no início do texto. Assim como não chegamos até aqui sozinhos, também não podemos carregar nas costas o peso do mundo em razão de decisões coletivas.
Somos responsáveis por nossas escolhas, e é bom que esse senso de responsabilidade aflore nos momentos certos, se não a todo o tempo. Vi minha filha mais velha fazendo bonito ao apresentar seu trabalho sobre consumo consciente e energia renovável na escola no último fim de semana. Importante que as novas gerações se conscientizem sobre a preservação do meio ambiente.
Na mesma noite, em casa, no entanto, ela tomava um banho interminável no chuveiro elétrico. Fiz o meu papel de grilo falante e alertei sobre o quanto de água e de energia estava sendo gasta, e rapidamente ela entendeu.
Pude sentir o choque de gerações no dia seguinte, e aproveitei para levar comigo mais um aprendizado. Neste domingo, uma das minhas avós completou 95 anos. Inspirada pelo ofício, pela data marcante, e pela coincidência de ter caído no mesmo dia do segundo turno das eleições, perguntei a ela qual conselho deixaria para as próximas gerações. "Mexa-se e viva. Parado, ninguém consegue nada", avisou.
É nesse movimento que precisamos encontrar forças para nos inspirar. Cada passo, porém, precisa ser acompanhado de respeito. De nada serve entrar em conflito e alimentar agressividade. Talvez a convivência fique mais difícil por algum tempo, mas perder essa essência pode ser muito perigoso. Não se trata de ser passivo e guardar sentimentos. Manifestar-se e tomar as ruas para marcar posição é importante e legítimo. Cria um sentimento que nem exército nem tropa virtuais conseguem alcançar. É a sensação de união, de ter com quem contar.
Mas, aconteça o que acontecer, diante do cenário que acompanhamos na última década, uma certeza podemos ter: no próximo ano, o Brasil terá o presidente que merece.
