História evolutiva

DNA desconhecido em homens modernos

Correio Braziliense
postado em 06/08/2020 22:22 / atualizado em 06/08/2020 22:23
 (foto: Neanderthal Museum/Divulgação)
(foto: Neanderthal Museum/Divulgação)

Uma nova análise de antigos genomas humanos sugere que diferentes ramos da árvore genealógica do homem cruzaram várias vezes e que alguns indivíduos ainda carregam DNA de um ancestral arcaico e desconhecido. A descoberta, da Universidade de Cornell e do Laboratório de Cold Spring Harbor, foi relatada em um estudo publicado na revista Plos Genetics.

Cerca de 50 mil anos atrás, um grupo de humanos migrou da África e cruzou com os neandertais na
Eurásia. Mas não foi a única vez que nossos ancestrais humanos antigos e seus parentes trocaram DNA. O sequenciamento de genomas de neandertais e de um grupo antigo menos conhecido, os denisovanos, produziu muitas novas ideias sobre esses eventos de cruzamento e sobre o movimento de populações humanas antigas.

No novo artigo, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para analisar genomas que podem identificar segmentos de DNA provenientes de outras espécies, mesmo que esse fluxo genético tenha ocorrido milhares de anos atrás e proveniente de uma fonte desconhecida. Eles usaram o algoritmo para analisar o material de dois neandertais, um denisovano e dois humanos africanos.

Os pesquisadores descobriram evidências de que 3% do genoma neandertal vieram de seres humanos antigos e estimam que o cruzamento tenha ocorrido entre 200 mil e 300 mil anos atrás. Além disso, 1% do genoma denisovano provavelmente veio de um parente desconhecido e mais distante, possivelmente o Homo erectus, e cerca de 15% dessas regiões do DNA “superarcaicas” podem ter sido passadas para os seres humanos modernos que estão vivos hoje.

Troca genética

As descobertas confirmam casos relatados anteriormente de fluxo gênico entre humanos antigos e seus parentes e também apontam para novos casos de cruzamento. Dado o número desses eventos, os pesquisadores dizem que a troca genética era provável sempre que dois grupos se sobrepunham no tempo e no espaço.

O novo algoritmo resolve o problema desafiador de identificar pequenos remanescentes do fluxo gênico que ocorreram centenas de milhares de anos atrás, quando apenas um punhado de genomas antigos está disponível. Esse algoritmo também pode ser útil para estudar o fluxo gênico em outras espécies em que ocorreram cruzamentos, como em lobos e cães.

“O que eu acho empolgante nesse trabalho é que ele demonstra o que você pode aprender sobre a história humana profunda reconstruindo, em conjunto, a história evolutiva completa de uma coleção de sequências de humanos modernos e hominídeos arcaicos”, disse um dos autores, Adam Siepel. “Esse novo algoritmo desenvolvido, o ARGweaver-D, é capaz de voltar mais no tempo do que qualquer outro método computacional que eu já vi. Parece ser especialmente poderoso para detectar introgressões antigas.”

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