Vacina chinesa é menos eficaz em idosos

postado em 08/09/2020 06:00
 (foto: STR)
(foto: STR)


A vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech, que está sendo testada no Brasil, inclusive no Distrito Federal, é segura em idosos, embora ofereça uma proteção mais fraca na faixa etária acima de 60 anos, quando comparada aos adultos mais jovens. Segundo um representante da companhia, que apresentou seus imunizantes em uma feira comercial de Pequim, resultados preliminares de um estudo ainda não publicado indicaram que a substância não oferece riscos a esse grupo. Quanto à resposta imunológica mais fraca, ele disse, citado pelo site canadense CBC, que já era algo esperado.

A proteção menos robusta entre idosos é uma preocupação mundial, visto que essa faixa etária representa o maior grupo de risco para covid-19. “Estudos numerosos mostraram que a eficácia das vacinas decresce significativamente com a idade, uma redução que, acreditamos, seja causada pelo declínio progressivo das respostas inatas e adaptativas do sistema imunológico”, escreveram, em artigo publicado na revista The New England Journal of Medicine, Wayne C. Koff e Michelle A. Williams, pesquisadores do Projeto Vacinas Humanas de Nova York e da Faculdade de Saúde Pública Harvard T. H. Chan, respectivamente. Os cientistas pedem que se invista mais em pesquisas que identifiquem o por quê dessa reação imune, além de formas de superá-la. “A covid-19 é altamente transmissível, causa mortalidade relativamente alta, especialmente em populações idosas, e surgiu globalmente em um mundo altamente interconectado. Esforços de curto prazo para desenvolver vacinas e terapêuticas que salvam vidas são de extrema importância”, destacam.

A CoronaVac, nome da vacina chinesa, está sendo testada no Brasil em 9 mil voluntários na Universidade de Brasília, além de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Na feira de Pequim, um funcionário da Sinovac informou à agência France Presse que o laboratório espera obter a aprovação das autoridades da China para disponibilizá-la ao mercado antes do fim do ano. Ele também disse que a empresa acabou de construir uma fábrica, capaz de produzir 300 milhões de doses por ano.

Oxford

Em Londres, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou, ontem, que espera a tão aguardada vacina contra o coronavírus no início de 2021. Ele disse que o governo assinou contrato para 30 milhões de doses com o laboratório farmacêutico AstraZeneca, que desenvolve uma vacina em parceria com cientistas da Universidade de Oxford. Esse imunizante está sendo testado no Brasil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“De fato, já estão começando a produzir as doses antes da aprovação da vacina. Se for aprovada, estaremos preparados para implementá-la”, afirmou Hancock à BBC. “O melhor cenário possível seria que a vacina, atualmente na fase de testes clínicos, recebesse a aprovação esse ano. Mas o cenário mais provável é no início do próximo ano, nos primeiros meses”, completou.

 

9 mil
Voluntários testam a CoronaVac em cinco estados brasileiros e no Distrito Federal (UnB)

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