Saúde Mental

Violência contra negros tem impacto direto na saúde mental

Em entrevista ao CB.Saúde, a psicóloga Ana Luísa Coelho Moreira explica que a superexposição da população preta e parda a diversas violências pode levar à deterioração do bem-estar emocional

Jéssica Gotlib
postado em 26/11/2020 16:30 / atualizado em 26/11/2020 16:31
Psicóloga e pesquisadora, Ana Luísa fala sobre a relação entre racismo e sofrimento psíquico -  (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A.Press)
Psicóloga e pesquisadora, Ana Luísa fala sobre a relação entre racismo e sofrimento psíquico - (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A.Press)

O assassinato de João Alberto Silveira Freitas no estacionamento de uma unidade da rede Carrefour é mais uma das inúmeras notícias de violência contra pessoas negras no Brasil. Levantamentos estatísticos, com o Atlas da Violência, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sustentam que o fato está longe de ser um caso isolado. Em 2018, por exemplo, 75,7% das vítimas de homicídio no país eram pessoas negras.

Esse contexto de alto risco tem impacto, direto ou indireto, na saúde mental das pessoas pretas e pardas no país. Foi o que explicou a psicóloga e pesquisadora Ana Luísa Coelho Moreira em entrevista ao CB.Saúde — pareceria entre o Correio e a TV Brasília — nesta quinta-feira (26/11).

“Na maioria dos casos há (impacto das notícias de violência na saúde mental), só que em graus diferentes. Vão ser pessoas que podem desenvolver algum sintoma mais grave, alguma doença psíquica mais grave, até aquelas pessoas que vão estar ali com a ideia no consciente e no inconsciente delas de que alguma coisa pode acontecer. Uma certa dúvida, uma ansiedade ou não entrar em algum lugar, em qualquer ambiente da mesma forma”, explicou.

Moreira é doutoranda em psicologia clínica e cultura na Universidade de Brasília (UnB) e explicou que casos como o de João Alberto, que ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, são “emblemáticos”. “Eu escutei muito de pessoas próximas, de pessoas militantes, (que há) um cansaço, um extremo cansaço de mais uma vez ter que lidar com esse massacre que o racismo faz”, colocou.

Ela ainda apontou que “reunir forças para a gente tentar ressignificar esses momentos" é um caminho. "Até para que a gente possa continuar sobrevivendo, existindo e resistindo”, pontuou. “É muito difícil, mas não é impossível”, acrescentou, lembrando que esse caso acabou recebendo mais atenção do que quando situações parecidas ocorreram no passado.

Veja a entrevista completa:


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