Pandemia

Promotores não são mais importantes que cidadão comum, diz epidemiologista

Professor da UnB ouvido pelo CB.Saúde, Wildo Navegantes diz não ver razão para categoria ter preferência no calendário de vacinação contra covid-19

Jéssica Gotlib
postado em 03/12/2020 19:02
Profissionais da saúde, idosos e indígenas devem ser alguns dos primeiros grupos na campanha de vacinação por estarem mais vulneráveis, explica professor -  (crédito: Ana Rayssa/CB/DA.Press)
Profissionais da saúde, idosos e indígenas devem ser alguns dos primeiros grupos na campanha de vacinação por estarem mais vulneráveis, explica professor - (crédito: Ana Rayssa/CB/DA.Press)

Com o avanço das diversas pesquisas para encontrar uma vacina eficaz contra a covid-19, o mundo se prepara para implantar um calendário de imunização. No Brasil, uma comissão de promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) busca ganhar preferência para receber a substância. Entretanto, Wildo Navegantes, epidemiologista e professor da Universidade de Brasília (UnB), discorda que essa prioridade seja necessária.

“Eu não vejo por que os promotores sejam mais importantes que os juízes, que os policiais, que o cidadão comum”, disse ele em entrevista ao CB.Saúde — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta quinta-feira (3/12). Segundo o epidemiologista, não existe na carreira nenhum indicativo que coloque esses profissionais como um grupo de risco.

“Lembrando que promotores podem trabalhar em casa, com ar-condicionado, sem precisar ter contato com alguém, já que o sistema do Judiciário está praticamente todo virtualizado. Imagino que eles estão extremamente seguros do ponto de vista de infecção”, ressalvou.

Priorização necessária

Ainda assim, a priorização de determinados grupos na futura campanha de vacinação será necessária. “A depender do volume de vacinas que nós tenhamos para a sociedade, imagino que isso vai ser feito com uma boa velocidade. Teremos um percentual importante das pessoas imunizadas, ou melhor, que ao menos tenham recebido uma ou duas doses da vacina, preferencialmente [até o fim de 2021]”, pontuou.

De acordo com ele, a preferência será estabelecida segundo critérios técnicos. “Quem define política pública de saúde em vacinação no Brasil é o Ministério da Saúde com as secretarias estaduais de saúde”, explicou. O primeiro grupo, provavelmente será formado por idosos, que formam o chamado grupo de risco porque, em geral, são “aqueles que sofrem mais e morrem”.

Mas algumas categorias profissionais específicas também devem ser vacinadas prioritariamente. “É importante saber que os profissionais de saúde que estão atendendo continuam sob risco. Então, não adianta a gente deixar de imunizá-los ao chegar a vacina, porque são eles que estão na linha de frente. Esse é um grupo que precisa ser imunizado, é isso que está acontecendo no mundo inteiro e o Brasil não se furtou a isso”, argumentou.

Assim como grupos mais vulneráveis, que devem ser protegidos porque tiveram um índice alto de mortalidade durante a pandemia. “Nós temos outras populações mais sensíveis, mais periféricas, eu diria, do ponto de vista da atenção à saúde hoje. A população indígena [por exemplo], historicamente eles são muito sensíveis às doenças respiratórias, morrem facilmente, então a gente espera vaciná-los assim como outras populações estratégicas, os idosos, crianças talvez”, lembrou.

Assista à entrevista completa:

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