CIÊNCIA

Remédio para tratar o HIV atua contra doença ocular

A descoberta foi apresentada na última edição da revista especializada 'Proceedings of the National Academy of Sciences' (PNAS)

Correio Braziliense
postado em 02/02/2021 06:00
 (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

Um remédio usado no tratamento para HIV pode ajudar a combater a degeneração macular seca, indica uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. Após revisarem uma série de estudos científicos, pesquisadores da Universidade de Virgínia observaram que pacientes que usavam medicamentos
chamados de Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa (NRTIs) apresentaram um
risco reduzido de sofrer com a enfermidade ocular que pode causar cegueira.

A descoberta foi apresentada na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). “Estamos extremamente entusiasmados em ver taxas tão baixas desse problema de saúde em uma quantidade tão ampla de dados analisados”, explicou, em um comunicado à
imprensa, Jayakrishna Ambati, principal autor do estudo.

No trabalho, os investigadores analisaram quatro bancos de informações de pessoas tratadas com NRTIs, abrangendo mais de 100 milhões de pacientes ao longo de duas décadas. Por meio das análises,
eles constataram que as pessoas que tomavam os remédios usados para tratar HIV tinham
quase 40% menos probabilidade de desenvolver degeneração macular seca.

Os cientistas acreditam que o medicamento pode evitar que a enfermidade ocular aconteça,
pois impede o acúmulo de uma substância excretada por uma célula específica da retina. “Vimos,
em estudos anteriores, que uma falha em um gene específico gera essa produção excessiva, desencadeando essa enfermidade ocular.

Essa classe de medicamentos é uma das drogas que impediram essa ação em testes laboratoriais,
foi o que motivou nossa análise”, frisou Ambati. Para os especialistas, as conclusões da pesquisa permitirão análises mais amplas, em busca de novas drogas para o problema ocular. “Estamos muito felizes, pois acreditamos que poderemos chegar a um tratamento eficaz para essa enfermidade e
evitar que ela cause cegueira”, comemorou o autor do estudo.

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