CIÊNCIA

Covid-19: vacina da Pfizer é 100% eficaz em adolescentes de 12 a 15 anos

Fórmula da Pfizer produz "resposta robusta" na formação de anticorpos em voluntários com idade entre 12 e 15 anos. Nenhum dos 1.131 vacinados foi infectado pelo Sars-CoV-2. Segundo especialistas, o resultado abre caminho para a imunização em massa

Paloma Oliveto
postado em 01/04/2021 06:00
 (crédito: Frederic J. Brown/AFP)
(crédito: Frederic J. Brown/AFP)

Considerados um grupo etário chave para se alcançar a imunidade de rebanho, adolescentes de 12 a 15 anos toleraram bem a vacina da Pfizer/BioNtech, que foi 100% eficaz em um estudo de fase III com 2.260 pessoas. No comunicado divulgado ontem, os dois laboratórios também informaram que, na semana passada, começaram a administrar o imunizante em crianças de 6 meses a 11 anos, também usando um esquema de duas dosagens.

Os resultados preliminares ainda não foram publicados em uma revista científica revisada por pares, mas entusiasmaram especialistas. “São notícias fantásticas. Demonstrar eficácia e segurança em pacientes mais jovens é um passo importante em termos de alcançarmos a imunidade da população contra a Sars-CoV-2”, comemora Stephen Griffin, professor da Escola de Medicina da Universidade de Leeds, na Inglaterra. “Isso permitirá que seja implementado um programa de longo prazo de vacinação em escolas, garantindo que nossa população esteja bem protegida do vírus no futuro.”

No comunicado, Pfizer e BioNTech destacaram que os resultados foram semelhantes aos obtidos na faixa dos 16 aos 25 anos. Os laboratórios informaram que, entre os 1.129 participantes do grupo placebo, 18 foram infectados pelo Sars-CoV-2 durante o período estudado, e que nenhum dos 1.131 vacinados foi contaminado pelo vírus. Os efeitos colaterais mais comuns foram dor no local da aplicação, fadiga, dor de cabeça e muscular. Além disso, o texto informa que houve uma “resposta robusta” na formação de anticorpos neutralizantes.

“Se quisermos obter imunidade coletiva por meio da vacinação, definitivamente precisaremos vacinar todos os que possam ser infecciosos, e isso incluirá as crianças”, diz o virologista Peter English, da Associação Médica Britânica. “As crianças mais velhas terão prioridade porque apresentam maior probabilidade de infectar outras pessoas e, geralmente, interagem com um número maior de indivíduos”, diz.

Variantes

O médico ressalta que o comunicado não traz dados detalhados sobre o estudo, como se houve resposta das células T, importantes integrantes do sistema imunológico. Ele destaca outra limitação: “Não foi informado se os participantes foram expostos a alguma das variantes que causaram preocupação. Seria reconfortante saber que a vacina foi igualmente eficaz contra todas as variantes”.
“Compartilhamos a urgência de expandir a autorização de nossa vacina para uso em populações mais jovens e somos encorajados pelos dados de ensaios clínicos de adolescentes com idades entre 12 e 15”, disse Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer. De acordo com ele, os laboratórios pretendem enviar os dados ao órgão regulatório norte-americano, a FDA, e, nas próximas semanas, “a outros reguladores de todo do mundo”, solicitando aprovação emergencial da vacina para adolescentes.

Passo decisivo

Ugur Sahin, CEO e cofundador da BioNTech, disse que “os resultados iniciais com adolescentes sugerem que as crianças estão particularmente bem protegidas pela vacinação, o que é muito encorajador, dadas as tendências que vimos nas últimas semanas em relação à disseminação da variante B.1.1.7 no Reino Unido”. Ele se refere ao aumento de infecções entre os mais jovens.

Para Isaac Weisfuse, epidemiologista da Universidade de Cornell, nos EUA, os dados divulgados ontem podem sinalizar uma mudança nos esforços para combater a pandemia. “Entre os muitos benefícios de vacinar adolescentes, estão maior segurança e tranquilidade na abertura de escolas de ensino fundamental e médio, reinício seguro de atividades como esportes, clubes, atividades sociais e outras atividades extracurriculares. É um passo crítico para alcançar a imunidade coletiva.”

» AstraZeneca sob análise profunda

Os especialistas que investigam a relação entre a vacina contra o coronavírus da AstraZeneca e a formação de coágulos não encontraram fatores de risco específicos, incluindo a idade, mas estão fazendo uma análise mais profunda, anunciou a Agência de Medicamentos Europeia (AME). Na terça-feira, a Alemanha se tornou o caso mais recente de uma série de países a desaconselhar o uso da vacina da AstraZeneca para os mais jovens, depois das informações de alguns casos raros de coagulação e apesar de a EMA garantir a segurança do fármaco. A AME informou que espera ter mais um posicionamento na próxima semana.

OMS não recomenda uso da ivermectina

A Organização Mundial da Saúde recomendou que “não se utilize a ivermectina” para os pacientes de covid-19, salvo nos ensaios clínicos. O medicamento antiparasitário de uso comum tem sido bastante promovido nas redes sociais. Mas, segundo o grupo de especialistas da OMS, os dados dos estudos para medir sua eficácia contra a covid-19 não foram conclusivos.

“Nossa recomendação é não utilizar a ivermectina para pacientes com covid-19, independentemente do nível de gravidade ou de duração dos sintomas”, frisou a chefe da equipe de resposta clínica para covid-19 da agência da ONU, Janet Díaz, em uma entrevista coletiva. Os especialistas da OMS tiraram suas conclusões de um total de 16 ensaios clínicos com 2,4 mil participantes. Alguns desses estudos compararam a ivermectina com outros medicamentos.

O número de estudos que permitem comparar a ivermectina com o placebo “é muito menor”, afirmou Bram Rochwerg, pesquisador da Universidade McMaster do Canadá e membro do painel da OMS que fez a avaliação. Tanto Díaz quanto Rochwerg disseram que as recomendações estão “ativas” e serão atualizadas à medida que novas pesquisas confirmarem, ou expandirem, o estado atual de conhecimento.

A recomendação da OMS, a primeira sobre a ivermectina, junta-se à da Agência Europeia de Medicamentos. O órgão correspondente nos Estados Unidos, a FDA, explica, em seu site, porque a ivermectina não deve ser usada. O sucesso dessa droga vem, em particular, de um estudo australiano publicado no início de 2020 que observou uma eficácia “in vitro”, ou seja, no tubo de ensaio, da ivermectina sobre o Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19. Porém, os testes em humanos não comprovaram o efeito, como costuma acontecer na maioria dos ensaios clínicos.

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