AstraZeneca

Investigações sobre vacinas anticovid aumentam junto com a incerteza na Europa

O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, indicou que os cidadãos com menos de 55 anos que foram vacinados com uma dose da AstraZeneca receberão a segunda dose de uma vacina diferente

A campanha de vacinação contra a covid na Europa sofreu um novo golpe nesta sexta-feira(9/4) com o anúncio de pelo menos duas novas investigações sobre o impacto dos imunizantes da AstraZeneca e da Johnson & Johnson na circulação sanguínea.

A polêmica gerada pela vacina AstraZeneca levou vários países, como a França, a modificar várias vezes suas regras de uso, primeiro por dúvidas sobre sua eficácia e, depois, pelo temor de que pudesse estar relacionada a casos detectados de coágulos sanguíneos.

O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, indicou que os cidadãos com menos de 55 anos que foram vacinados com uma dose da AstraZeneca receberão a segunda dose de uma vacina diferente.

No entanto, logo após o anúncio do ministro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que não há "dados adequados" sobre os efeitos da troca de vacinas entre a primeira e a segunda dose.

- Escassez na Índia -


E enquanto a UE continua lutando com os contratempos da vacina AstraZeneca, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou nesta sexta-feira que está investigando uma possível ligação entre o imunizante e um raro efeito nos vasos sanguíneos.

A agência anunciou que está examinando cinco casos da chamada síndrome de vazamento capilar, caracterizada por uma "supuração de fluido nos vasos sanguíneos, que causa inchaço de vasos e queda na pressão arterial".

Além disso, o regulador europeu também disse que estava estudando possíveis ligações entre a vacina da Johnson & Johnson e coágulos sanguíneos.

Segundo a EMA, foram notificados "quatro casos graves" - um deles fatal - de coágulos sanguíneos incomuns em pessoas vacinadas com Johnson & Johnson, com base em tecnologia semelhante à da AstraZeneca.

Ambas as fórmulas foram aprovadas pela União Europeia, mas as doses da J&J ainda não foram aplicadas e vários países do bloco pararam de usar a vacina AstraZeneca ou restringiram seu uso.

Nesta sexta-feira (9/4), a AstraZeneca anunciou que metade das entregas de vacinas para a UE nesta semana serão atrasadas.

Por outro lado, a UE planeja negociar com "um único fornecedor" a compra de 1,8 bilhões de doses de vacinas de segunda geração contra a covid-19 para lidar com futuras variantes do vírus, informou uma fonte da Comissão Europeia à AFP.

Também há escassez de doses na Índia, que abriga o maior fabricante mundial de vacinas contra o coronavírus, especialmente no estado de Maharashtra, onde vivem mais de 100 milhões de pessoas, incluindo residentes de Mumbai.

"A maioria dos hospitais de Mumbai está prestes a ficar sem estoque no final do dia", alertou nesta sexta-feira Mangala Gomare, que supervisiona o programa de vacinação da megalópole.

Por sua vez, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg denunciou a distribuição desigual de vacinas no mundo e afirmou que não participará da conferência climática COP26 em Glasgow em novembro porque o acesso desigual ao imunizante não permite uma presença igualitária dos países e militantes.

De acordo com uma contagem de AFP, mais de 733 milhões de doses da vacina anticovid foram injetadas em pelo menos 196 países e territórios. 49% foram administrados em países de alta renda, onde reside 16% da população mundial, e apenas 0,1% foi usado nos 29 países mais pobres do mundo (9% da população mundial).

O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também criticou nesta sexta-feira o “impactante desequilíbrio na distribuição global de vacinas”.

Pelo menos 2,9 milhões de pessoas morreram de covid-19, de acordo com uma contagem da AFP baseada em fontes oficiais.

- "Nem todo mundo é igual" -


Com uma campanha de vacinação que avança aos trancos e barrancos, os governos estão tentando desacelerar a disseminação do vírus, limitando a mobilidade e o contato entre os cidadãos.

O governo alemão vai adotar um projeto para endurecer a legislação de saúde contra a covid-19 e possibilitar a imposição de medidas em nível nacional, para superar a resistência regional ou local.

O Japão também intensificou as restrições na capital Tóquio e em outros lugares, pedindo que os bares fechem mais cedo.

Enquanto isso, no Brasil, o ministro do STF Luís Roberto Barroso pediu ao Senado a criação de uma comissão para investigar "possíveis" omissões do governo de Jair Bolsonaro na luta contra a pandemia.

O Brasil (212 milhões de habitantes) é o segundo país do mundo mais atingido pela pandemia em termos absolutos, com 345.025 mortes, atrás dos Estados Unidos (560.115 mortes).

Mesmo assim, bares e restaurantes do Rio de Janeiro poderão reabrir a partir desta sexta-feira até as 21h, embora suas praias continuem fechadas, anunciou o prefeito.

Mesmo aqueles que ordenam as restrições têm dificuldade em cumpri-las em alguns casos.

A primeira-ministra norueguesa Erna Solberg foi multada em 20.000 coroas norueguesas (cerca de US $ 2.380) nesta sexta-feira por organizar uma celebração de seus 60 anos com a presença de muitas pessoas, embora ela própria não tenha participado.

"Embora a lei seja a mesma para todos, nem todos são iguais", disse o Comissário Ole Sæverud em uma conferência de imprensa.

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