Covid-19

Especialistas dos EUA votam a favor de 3ª dose da Pfizer apenas para idosos

Contrariando o desejo do presidente Joe Biden, painel médico que assessora a Casa Branca não indicou a dose de reforço para toda população acima dos 16 anos

Agence France-Presse
postado em 17/09/2021 23:35 / atualizado em 17/09/2021 23:36
 (crédito: Jacob King/AFP - 4/2/21)
(crédito: Jacob King/AFP - 4/2/21)

O painel médico que assessora o governo dos Estados Unidos votou nesta sexta-feira (17) a favor de uma terceira dose da vacina Pfizer contra a covid-19 para maiores de 65 anos e pessoas de alto risco, mas não para todos acima dos 16 anos, um revés para o presidente Joe Biden, que queria lançar uma campanha de reforço geral.

A decisão foi tomada após um dia de debates deste comitê assessor da Agência de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), formado por pesquisadores, epidemiologistas e especialistas em doenças infecciosas.

Os especialistas recomendaram que a dose de reforço seja aplicada seis meses após a segunda, e disseram que profissionais de saúde deveriam ser incluídos entre as pessoas de alto risco.

Por um lado, foram unânimes quanto à necessidade de administrar uma dose a mais para idosos acima de 65 anos, bem como para aquelas com alto risco de desenvolver a forma grave da doença.

Por outro, o painel se manifestou contra a campanha de reforço para a população em geral a partir dos 16 anos. Em particular, levantaram preocupações com o risco de miocardite em adolescentes do sexo masculino e homens adultos.

As recomendações do comitê não são vinculantes, mas é raro que a FDA não as siga.

"Acho que isso deveria mostrar ao público em geral que os membros deste comitê são independentes da FDA e que temos algo a dizer quando somos convidados a nos reunir", declarou Archana Chatterjee, um dos integrantes.

O governo de Biden anunciou em agosto que lançaria uma campanha de reforço, a partir de 20 de setembro, para todos os americanos que haviam recebido sua segunda dose oito meses antes.

Essa decisão pegou muitos especialistas de surpresa. A desconfiança se espalhou pelas fileiras da FDA, que publicou um documento se distanciando da decisão anunciada antes da reunião de seu comitê de especialistas independentes.

"No geral, os dados indicam que as vacinas licenciadas nos Estados Unidos ainda conferem proteção contra formas graves da covid-19 e morte", disse a FDA.

- Não "neste estágio" -
Dois altos funcionários da FDA já assinaram uma carta publicada no The Lancet contra uma terceira dose "neste estágio da pandemia".

Após o anúncio das decisões, a Pfizer afirmou "seguir acreditando nos benefícios de uma dose de reforço para uma parte maior da população", enquanto disse querer "trabalhar com o FDA (...) para responder às perguntas do comitê", por meio de sua chefe de vacinas Kathrin Jansen.

Para convencer da necessidade dessa dose adicional, a empresa havia citado estudos que mostraram uma diminuição na proteção contra a infecção alguns meses após a administração das duas primeiras doses.

Um número crescente de estudos mostra, porém, que duas doses são suficientes para fornecer alta proteção contra manifestações graves da doença, embora em níveis ligeiramente mais baixos em pessoas mais velhas.

A Pfizer também mencionou dados que mostram que os reforços aumentam o nível de anticorpos contra a variante delta, assim como estudos conduzidos em Israel, onde se fez uma campanha de administração da terceira dose.

A FDA afirma, entretanto, que nem todos os estudos são necessariamente confiáveis e estima que aqueles resultantes de pesquisas nos Estados Unidos "provavelmente representem com mais precisão a eficácia das vacinas na população americana".

 

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