Espaço

DART: a missão da Nasa pra proteger a Terra de asteroides

Agência espacial americana vai lançar em novembro espaçonave com vistas a atingir asteroide propositalmente e mudar seu caminho, testando pela primeira vez método de "defesa planetária"

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postado em 08/10/2021 10:49

Imagine um asteroide vindo em direção à Terra com a possibilidade de causar grandes estragos, ou até mesmo acabar com a existência humana.

Cenários como esse ainda estão restritos às telas dos cinemas.

Mas existe o temor de que isso possa se tornar realidade no futuro.

Nesse sentido, a Nasa, a agência espacial americana, anunciou na terça-feira (5/10) vai lançar no próximo mês uma espaçonave para atingir um asteroide — propositalmente — e mudar seu caminho, testando pela primeira vez um método de "defesa planetária".

DART
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Lançamento da missão Double Asteroid Redirection Test (DART) ocorrerá às 1h20 (2h20 horário de Brasília), em 24 de novembro

O lançamento da missão Double Asteroid Redirection Test (DART) ocorrerá às 1h20 (2h20 horário de Brasília), em 24 de novembro, informou a NASA.

Um foguete SpaceX Falcon 9 será lançado da Base da Força Espacial de Vandenberg, cerca de 80 km a noroeste de Santa Bárbara, Califórnia.

Dois asteroides que orbitam o Sol e ocasionalmente se aproximam da Terra são o alvo da Nasa.

Segundo a agência, eles não representam uma ameaça ao nosso planeta, mas sua proximidade os torna um candidato preferencial para o teste de uma técnica que poderia algum dia impedir que um "asteroide perigoso atinja a Terra".

"Vamos garantir que uma rocha vinda do espaço não nos mande de volta à Idade da Pedra", diz Thomas Statler, cientista da Nasa, no podcast da agência.

Asteroide
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Maior dos dois asteroides, Didymos, tem 780 metros de diâmetro. Ao redor dele, orbita satélite natural menor, chamado Dimorphos

O maior dos dois asteroides, Didymos, tem 780 metros de diâmetro. Ao redor dele, orbita um satélite natural menor, chamado Dimorphos.

Dimorphos, com cerca de 160 metros de diâmetro, é "mais típico do tamanho dos asteroides que podem representar a ameaça significativa mais provável para a Terra", segundo a Nasa.

Esse corpo celeste, segundo Statler, "não é necessariamente o asteroide que vai causar um efeito devastador na Terra".

Em vez disso, o lançamento da espaçonave é um "teste para garantir que temos as capacidades para deter esse asteroide no futuro, se houver um".

O objetivo da missão é atingir Dimorphos a uma velocidade de quase 24 mil km/h e mudar sua órbita "por uma fração de um por cento" — uma mudança pequena, mas significativa o suficiente de tal modo que os cientistas serão capazes de observá-la a partir de telescópios Terra.

"A colisão mudará a velocidade da minulua em sua órbita ao redor do corpo principal em uma fração de um por cento, mas isso mudará o período orbital da minilua em vários minutos — o suficiente para ser observado e medido usando telescópios na Terra", diz a agência em seu site.

Se a Nasa detectar um asteroide que represente um risco para a Terra — segundo Statler, a agência não trabalha com essa hipótese pelo menos nos próximos 100 anos — ela tentaria atingi-lo e mudar seu curso, em vez de destruí-lo completamente.

A espaçonave DART se separará do foguete SpaceX e navegará no espaço por mais de um ano antes de atingir Dimorphos no fim de setembro de 2022, quando a dupla de asteroides estará perto o suficiente da Terra — 11 milhões de quilômetros — de modo que os cientistas poderão vê-los.

Didymos e Dimorphos
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Didymos e Dimorphos

A interação será gravada por um lançamento de satélite italiano de 14 kg da espaçonave.

Quatorze imagens sequenciais de radar Arecibo do asteróide próximo à Terra (65803) Didymos e sua lua, tiradas em 23, 24 e 26 de novembro de 2003
NASA
Quatorze imagens sequenciais de radar Arecibo do asteróide próximo à Terra (65803) Didymos e sua lua, tiradas em 23, 24 e 26 de novembro de 2003

Embora não tenha como objetivo mudar o curso de um asteroide que destrua a Terra, a missão tem "proporções históricas", diz Statler.

Será "a primeira vez que a humanidade realmente mudou algo no espaço", acrescenta ele.

"Deixamos pegadas e marcas de pneus e coisas assim. Mas esta será a primeira vez que a humanidade mudará um movimento celestial", conclui.


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