Pesquisa

Exposição à fumaça no começo da vida pode prejudicar o sono quando adulto, diz estudo

A pesquisa italiana indica ainda que a exposição à nicotina e seus subprodutos produz efeitos na resposta ao estresse

Problemas com o sono na fase adulta podem ser resultados de vivências ainda nos primeiros anos de vida. Uma pesquisa da Universidade de Bolonha, na Itália, mostra justamente que estar em contato com fumaça quando bebê, pode ter efeitos de longo prazo no sono e na resposta ao estresse em algumas áreas do cérebro.

O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, usou camundongos para analisar os efeitos em adultos da exposição perinatal — período entre a 20ª semana de vida intra-uterina que se estende até o 28º dia pós-neonatal — à nicotina e seus subprodutos. Ao expor fêmeas grávidas às substâncias, foi observado que seus filhotes, quando alcançaram a fase adulta, apresentaram problemas com sono, com uma redução do tempo entre o período de descanso e período ativo. Trazendo para a rotina humana, esta redução seria entre a hora de dormir e a hora de acordar.

“Segundo nossos dados, o controle dos fatores ambientais durante a gravidez é fundamental não só para a saúde da mulher, mas também para a prole”, explica Giovanna Zoccoli , coordenadora da pesquisa e professora do Departamento de Ciências Biomédicas e Neuromotoras da Universidade de Bolonha.

Ao analisarem os fatores cerebrais, os pesquisadores perceberam também uma alteração da expressão dos os hormônios do estresse (receptores de glicocorticoides) no hipocampo. A estrutura do hipocampo é a mais sensível ao estresse durante o desenvolvimento do cérebro, pois é uma estrutura muito moldável que se desenvolve principalmente após o nascimento e possui muitos receptores de corticosteroides, como glicocorticoides.

Assim, pode-se afirmar que a pesquisa indica que, por um lado, a exposição à nicotina e seus subprodutos nas fases iniciais da vida pode alterar a expressão e o equilíbrio dos receptores de corticosteroides no hipocampo mas, por outro lado também mostra que a expressão de glicocorticoides no hipocampo está ligado à redução do sono.

“Esses resultados apontam então para o fato de que o consumo de nicotina durante a gravidez representa um fator de estresse que afeta o desenvolvimento hipocampal da prole e em seus padrões de sono quando adultos ”, completa a pesquisadora.

Efeitos da Nicotina

Um estudo, feito pela médica pneumologista da Universidade de São Paulo (USP) Stella Regina Martins, mostrou que a nicotina tem efeitos prejudiciais sobre diferentes órgãos e sistemas do corpo humano. Segundo ela, usuários do composto de sais de nicotina, encontrados nos cigarros eletrônicos, têm um risco mais elevado de estabelecer a dependência rapidamente.

“Sabemos que os sais de nicotina são entregues diretamente às estruturas mais profundas do sistema respiratório, como brônquios e alvéolos, e rapidamente impactam o sistema nervoso”, explicou a pesquisadora no estudo. Além disso, esses produtos aumentam o risco de recaídas nas pessoas que lutam para parar de fumar e têm grande poder de atração sobre o público jovem.

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