Clima

195 países se reúnem para analisar relatório sobre aquecimento global

O objetivo estabelecido pela comunidade internacional na histórica conferência sobre a mudança climática de Paris em 2015 (COP21) foi um máximo de 1,5ºC

Correio Braziliense
postado em 22/03/2022 06:00
Secretário-geral da ONU, António Guterres teme calamidade -  (crédito: UN Photo/Evan Schneider)
Secretário-geral da ONU, António Guterres teme calamidade - (crédito: UN Photo/Evan Schneider)

Enquanto a guerra na Ucrânia evidencia a dependência econômica dos hidrocarbonetos, 195 países começaram, na última segunda-feira (21/3), a analisar a aprovação de um relatório sobre os cenários que permitirão limitar o aquecimento global e seus efeitos devastadores. Depois de mais de um século e meio de desenvolvimento econômico baseado nas energias fósseis, a temperatura média mundial aumentou 1,1C em relação à era pré-industrial, multiplicando ondas de calor, secas, tempestades e enchentes devastadoras.

O objetivo estabelecido pela comunidade internacional na histórica conferência sobre a mudança climática de Paris em 2015 (COP21) foi um máximo de 1,5ºC. Porém, o mundo avança "com os olhos fechados para a catástrofe climática", alertou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. "Se continuarmos assim, podemos nos despedir do objetivo de 1,5ºC e o de 2ºC também poderia ficar fora do nosso alcance", acrescentou.

O novo relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas Climáticos da ONU (IPCC) sobre as soluções para reduzir as emissões será publicado em 4 de abril, após duas semanas de discussões on-line e a portas fechadas. "Uma avaliação atualizada é mais importante do que nunca", explicou o chefe do IPCC, Hoesung Lee, em um comunicado de imprensa. No entanto, o relatório "mostrará um quadro pouco satisfatório", estima Stephen Cornelius, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Transformação

O relatório vai abordar as possíveis formas de conter o aquecimento, diminuindo as possibilidades para grandes setores (energia, transporte, indústria, agricultura...) sem esquecer as questões de aceitação social e o lugar de tecnologias como coleta e armazenamento de carbono. "Estamos falando sobre transformação de grande amplitude de todos os grandes sistemas: energético, transporte, infraestruturas, construção, agricultura e alimentar", disse à agência France Presse a economista do clima Céline Guivarch, uma das autoras do relatório.

Guivarch acrescentou que essas são grandes transformações que devem ser "feitas agora" para que a neutralidade de carbono seja alcançada até 2050. Ela ressaltou que "nunca é tarde demais para agir" e evitar o pior. Essas questões que dizem respeito à própria organização de nossos modos de vida, consumo e produção podem provocar discussões acaloradas durante essas duas semanas.

Os participantes devem revisar cuidadosamente, linha por linha, palavra por palavra, o Resumo para influenciadores que tomam decisões, um condensado de milhares de páginas de relatório científico. "É um relatório crucial publicado quando países, empresas e investidores voltam a calibrar seus planos para acelerar a saída rápida das energias fósseis e a transição para sistemas alimentares sustentáveis", comentou Kaisa Kosonen, do Greenpeace.

 

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