Resistentes a antibióticos

Cães e tutores podem trocar superbactérias

Pesquisa constatou que, entre 2018 e 2020, 15% dos animais de estimação e 13% dos tutores apresentaram bactérias relacionadas, ou seja, com elementos genéticos presentes em ambos

Correio Braziliense
postado em 06/04/2022 06:00
 (crédito: STEPHEN LAM)
(crédito: STEPHEN LAM)

Cães e gatos de estimação podem transmitir aos tutores bactérias resistentes a antibióticos, mostra uma pesquisa europeia. Os autores do trabalho, apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID), que acontece, nesta semana, em Lisboa, defendem um constante monitoramento dos animais para proteger a saúde tanto deles quanto dos humanos.

Os autores do estudo explicam que o papel dos animais de companhia como potenciais "reservatórios" de bactérias resistentes é uma preocupação crescente em todo o mundo. "A Escherichia coli (E. coli), por exemplo, é comum no intestino de pessoas e de animais saudáveis. Existem vários tipos de bactérias e, embora a maioria seja inofensiva, algumas podem causar problemas graves, como intoxicação alimentar e infecções que geram risco de morte", explicam.

A equipe buscou descobrir como esse e outros micro-organismos se espalham, e se existe um cruzamento entre o material genético daqueles presentes nos bichos e os dos tutores. Foram recolhidas amostras de fezes de 58 pessoas saudáveis e de 18 gatos e 40 cães que viviam com esses voluntários. As coletas se deram em intervalos mensais, durante quatro meses, e os especialistas usaram uma técnica de sequenciamento genético para analisar o material.

Constatou-se que, entre 2018 e 2020, 15% dos animais de estimação e 13% dos tutores apresentaram bactérias relacionadas, ou seja, com elementos genéticos presentes em ambos. Nesse grupo, um terço das bactérias encontradas se mostrou resistentes a antibióticos. Os pesquisadores também observaram que, mesmo quando não eram resistentes aos medicamentos, os micro-organismos apresentavam proteínas relacionadas a esse problema. "Às vezes, as bactérias podem não ser compartilhadas totalmente, mas em partes, por meio de seus genes. E esses pedaços móveis de DNA podem ser compartilhados entre diferentes populações bacterianas, em animais e em humanos", explica, em comunicado, Juliana Menezes, pesquisadora da Universidade de Lisboa e uma das autoras do estudo.

A equipe pondera que são necessárias mais investigações para confirmar os resultados obtidos e alerta que o trabalho de agora deve servir como um sinal de alerta para tutores e especialistas. "Nossas descobertas mostram não apenas o compartilhamento de bactérias resistentes a antibióticos, mas também de genes relacionados à resistência a esses medicamentos, entre animais de companhia e seus tutores, ressaltando a necessidade de programas contínuos de vigilância local para identificar um risco potencial à saúde humana", enfatiza Menezes.

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