cirurgia

Bebê recebe primeiro transplante de intestino de um doador falecido no mundo

A bebê sofria de síndrome do intestino curto, o que ocasionou insuficiência intestinal

Correio Braziliense
postado em 12/10/2022 06:00
 (crédito: Hospital La Paz/Divulgação)
(crédito: Hospital La Paz/Divulgação)

Uma criança de 13 meses foi a primeira pessoa do mundo a receber um enxerto multivisceral — fígado, estômago, pâncreas e todo o intestino delgado — de um doador com parada cardiorrespiratória. Segundo os médicos responsáveis, o procedimento, que ocorreu no Hospital La Paz, em Madri, na Espanha, abre as portas para o uso de transplante em assistolia, ou seja, quando se verifica que não há mais batimentos cardíacos nem respiratórios. Para manter o órgão viável, foi utilizado um aparelho extracorpóreo.

Segundo a chefe da Unidade de Reabilitação e Transplante Intestinal da instituição, Esther Ramos, a bebê sofria de síndrome do intestino curto, o que ocasionou insuficiência intestinal. Após várias intervenções, Emma teve que se submeter ao transplante.

"Quando Emma, com apenas 1 mês, chegou à unidade (de saúde) com um intestino ultracurto, o pouco que comia era expulso. Era uma situação de falência intestinal e dependia de nutrição parenteral 24 horas por dia", recordou, em entrevista ao site ABC Salud, Alida Alcolea, médica do hospital madrileno. A criança foi submetida a três cirurgias em cinco meses.

No terceiro procedimento, Emma parou de vomitar e passou a comer mais. Porém, não melhorou e foi colocada na lista de transplantes. Na Espanha, 30% dos candidatos a receptores de órgãos morrem antes de conseguirem passar pela cirurgia. Devido às características do intestino, até agora, não havia experiências com transplante assistólico, disse Ramos.

"Nenhum problema"

A equipe do Hospital La Paz lançou um projeto de pesquisa e conseguiu demonstrar, em modelos experimentais, que o procedimento era possível. Quando surgiu o doador, os pais de Emma foram chamados à unidade de saúde. A família foi avisada que, durante o período pós-transplante, de dois meses, seria normal surgirem complicações. "Mas Emma não nos deu nenhum problema. Foi uma grande surpresa", disseram os médicos, ao ABC Salud. Agora, segundo um comunicado do hospital, a criança está evoluindo rapidamente. Ela já engatinha, dança, corre e brinca, o que não conseguia fazer antes.

Segundo a equipe, porém, nem todos os pacientes que aguardam um transplante poderão ser beneficiados pela doação assistólica, pois há critérios para serem cumpridos. Ainda assim, os médicos afirmam que resultados obtidos até agora em procedimentos com outros órgãos demonstram o mesmo nível de sucesso de quando o doador tem morte encefálica.

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