COP27

COP 27: Emissões de gases de efeito estufa continuam subindo, mostra estudo

De 2012 a 2021, Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo contribuíram com mais da metade das emissões globais pela mudança do uso da terra

Paloma Oliveto
postado em 11/11/2022 06:00
 (crédito: FRED DUFOUR)
(crédito: FRED DUFOUR)

Enquanto representantes de mais de 190 países discutem, no Egito, como evitar uma tragédia climática, um estudo internacional mostra que as emissões globais de gases de efeito estufa continuam aumentando. A projeção para 2022, considerando a queima de combustíveis fósseis e mudança no uso da terra (desmatamento), é de 41,1 gigatoneladas de CO2. Embora a poluição por essa segunda fonte tenha registrado um leve declínio em relação a 2021, o uso de petróleo, gás natural e carvão aumentou, exceto na China, onde os bloqueios associados à covid-19 continuam.

O estudo Global Carbon Budget, do Centro de Pesquisa Climática Internacional (Cicero), com sede na Noruega, destaca que, de 2012 a 2021, Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo contribuíram com mais da metade das emissões globais pela mudança do uso da terra. Porém, o maior responsável pelas concentrações recorde de gases de efeito estufa na atmosfera é o setor energético, baseado na queima de combustíveis fósseis. "Apesar de uma impressionante variedade de políticas e promessas exibidas na COP27, os dados históricos revelam uma história contrastante, onde as emissões continuam a crescer", disse Ida Sognæs, pesquisador Sênior do Cicero.

Segundo o relatório, as emissões causadas pela queima de combustíveis fósseis devem superar os níveis pré-covid (2019). Em 2020, devido à pandemia, houve redução de 5,4%. No ano passado, elas aumentaram 5,1%. Agora, em 2022, pelos cálculos dos cientistas, estarão 1% acima do registrado nos 12 meses anteriores. Combustível de aviação e uso de carvão estão por trás dos maiores aumentos neste ano.

O estudo mostra que, nos últimos 10 anos, as emissões por combustíveis fósseis aumentaram 0,6% anualmente. O lançamento, na atmosfera, de gases de efeito estufa por essa fonte é 5% maior que em 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris. Glen Peters, diretor de pesquisas do Cicero, lembra que, nos últimos anos, houve diversas oportunidades para colocar o mundo em um caminho mais limpo do ponto de vista energético: a crise financeira global de 2008/2009, a pandemia da covid e, agora, a guerra com a Ucrânia.

Porém, o relatório de mais de 90 páginas mostra que as emissões atribuídas aos diversos combustíveis fósseis continuam subindo. De acordo com o artigo, espera-se um aumento de 2,2%, em 2022, pela queima de petróleo e 1% por carvão. Já a poluição por gás natural deve cair 0,2%. "É um erro pensar que a transição energética será uma transição suave, não temos tempo disponível", afirma um dos autores, Pep Canadell, diretor do Projeto Carbono Global do Cicero.

Também em 2023

O relatório indica, ainda, que não há previsão de queda nas emissões por combustíveis fósseis. "Dado que se espera uma recuperação total do uso de petróleo em 2023, se o de carvão ou gás continuar estável ou aumentar, então é provável que as emissões globais de CO2 por combustíveis fósseis continuarão a crescer, sem uma política de esforços concentrados", comenta Robbie Andrew, pesquisador do centro de pesquisa.

A Índia é a que mais tem contribuído para o fenômeno em 2022, com um crescimento projetado de 6%, especialmente devido ao uso de carvão. A previsão para os EUA é de 1,5%, enquanto a China deve passar por um declínio de 0,9%, atribuído, especialmente, aos bloqueios constantes associados à covid-19, e a União Europeia, a uma queda de 0,8%. Junto, o restante do mundo elevou em 1,7% a poluição por essa fonte, segundo o documento.

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