Cibernética

Games aceleram a reabilitação motora

Batizados de "Peter Jumper" e "Andromeda", os dois jogos do tipo arcade foram criados na plataforma Unity e têm como objetivo tornar mais agradável e envolvente a realização dos movimentos terapêuticos, normalmente repetitivos e cansativos

Um novo sistema criado por pesquisadores da Universidad Carlos III de Madrid (UC3M) em parceria com a Escuela Politécnica del Ecuador e os hospitais Asepeyo de Barcelona e Madrid muda os tratamento de reabilitação dos pacientes com dificuldades motoras nas mãos e punhos realizam sua reabilitação. Trata-se de um conjunto de exergames — jogos de vídeo voltados ao exercício físico — combinados a um controlador eletromecânico capaz de medir e registrar com precisão a evolução do quadro clínico durante o tratamento.

Batizados de "Peter Jumper" e "Andromeda", os dois jogos do tipo arcade foram criados na plataforma Unity e têm como objetivo tornar mais agradável e envolvente a realização dos movimentos terapêuticos, normalmente repetitivos e cansativos. Os games estimulam a participação ativa dos pacientes ao mesmo tempo em que capturam dados valiosos para os profissionais de saúde, como tempo de resposta, perfis de força, resistência muscular e fadiga.

O diferencial do sistema está no dispositivo físico acoplado, denominado eJamar. Com sensores de alta precisão, ele registra a amplitude dos movimentos e a força de preensão dos dedos e do punho durante as sessões, armazenando automaticamente as métricas para posterior análise médica. Isso permite uma avaliação contínua, detalhada e objetiva dos avanços obtidos, superando as limitações dos métodos convencionais, muitas vezes baseados apenas em observação e anotações manuais.

A iniciativa surgiu após os pesquisadores identificarem uma lacuna importante nos processos de reabilitação. "Percebemos que já existiam jogos para apoiar terapias, mas quase nenhum dispositivo era projetado especificamente para recuperar a funcionalidade das mãos e fortalecer sua musculatura", explica Andrés Fernando Cela Rosero, do Departamento de Engenharia de Sistemas e Automação da UC3M.

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O projeto é financiado por programas de inovação tecnológica como Roboasset, i-REHAB e iRoboCity2030-CM, com recursos do Instituto de Salud Carlos III (ISCIII), da Comunidade de Madrid e da União Europeia. Desde a primeira fase de testes, a equipe de desenvolvimento obteve resultados promissores. "Já realizamos diversos testes com pacientes em processo de reabilitação e os avanços são animadores", relata Edwin Daniel Oña Simbaña, também da UC3M. "Somando 30 minutos de tratamento convencional aos nossos exergames, alguns pacientes dobraram a força de preensão e recuperaram completamente a amplitude de movimento."

Versátil, a tecnologia pode ser usada em diversos contextos clínicos, incluindo lesões traumáticas, fraturas e distúrbios neurológicos como acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla e doença de Parkinson. Outro ponto relevante é a simplicidade de uso do sistema, o que abre caminho para a sua aplicação em telereabilitação, ampliando o alcance dos tratamentos, inclusive em locais onde o acesso à fisioterapia presencial é limitado.

Ao unir ludicidade, precisão tecnológica e aplicabilidade clínica, o projeto representa uma inovação significativa na área da saúde. Para os pesquisadores, exergames ajudam a reduzir filas por atendimento, personalizar planos terapêuticos e aumentar a adesão dos pacientes, inclusive em fase de recuperação. Eles incentivam profissionais e instituições a testarem o sistema e contribuírem para seu aperfeiçoamento e futura adoção em larga escala. (RB)

 


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