Flávia Martinelli, especialista em mudanças climáticas do WWF-Brasil
Quais são as principais implicações científicas e políticas de o planeta ter ultrapassado, por três anos consecutivos, o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais?
É preciso agir com urgência para evitar os pontos de não retorno. Estamos falando da Amazônia deixar de ser a floresta que é, o que pode desregular ainda mais o clima, e da extinção dos corais e a biodiversidade que depende deles, além de outras consequências. Isso representa mudanças de economias inteiras, mortes e perda de qualidade de vida, desenvolvimento de novas doenças, insegurança alimentar, entre outros danos. Os governos precisam encarar o clima com a seriedade necessária, e se preparar para esses cenários extremos, investindo pesado tanto em mitigação, para redução de emissões de gases de efeito estufa, quanto em adaptação, para prevenir perdas de vidas, de biodiversidade e econômicas.
Até que ponto a retração das políticas climáticas em países desenvolvidos pode comprometer a capacidade global de mitigar o aquecimento nas próximas décadas?
Sendo a crise climática uma crise global, necessita-se o envolvimento do maior número de países possível agindo para contê-la, especialmente os países desenvolvidos, que não só são os principais emissores, como também são os que têm capacidade econômica para agir. Países com florestas tropicais podem combater desmatamento e nações produtoras de petróleo podem investir em uma transição energética justa. Adicionalmente, os governos subnacionais também exercem um papel importante, como alguns estados americanos que protagonizaram no primeiro governo Trump uma série de ações climáticas relevantes em oposição aos posicionamentos presidenciais.
