Por que o Nipah é considerado uma ameaça emergente para a saúde pública global?
Os casos de Nipah até hoje são restritos a alguns surtos em Malásia, Singapura, Bangladesh e Índia. Apesar de a maioria dos casos ser relacionada a transmissões de animais para seres humanos, existem casos de surtos de transmissão entre humanos, o que aumenta o risco de uma maior disseminação do vírus. Além disso, esse micro-organismo causa uma doença com alta letalidade, não havendo tratamento específico ou vacinas disponíveis, sendo preocupante uma eventual possibilidade de ampliação de sua capacidade de transmissão entre humanos, caso haja alguma mutação do vírus. De forma tranquilizadora, os episódios de transmissão entre humanos estão relacionados a pacientes com formas muito graves da doença, restringindo, no momento, o risco de transmissão entre humanos a poucos casos e com grande possibilidade de controle com medidas básicas de prevenção de infecção hospitalar, como higiene de mãos e uso de equipamentos de proteção individual adequados.
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Como a doença se manifesta?
Existem duas principais formas clínicas da doença: a encefalite e a pneumonia. Nas duas formas, sintomas iniciais inespecíficos como febre, dores no corpo, dor de cabeça, náuseas e vômitos estão presentes. Na encefalite, o paciente evolui com alterações do nível de consciência, crises convulsivas, mioclonias com eventual risco de óbito. Já nas formas respiratórias, após a apresentação inicial, o paciente evolui com uma importante insuficiência respiratória, com necessidade de suporte ventilatório, semelhante aos casos graves de pneumonia.
O que a medicina consegue oferecer aos pacientes hoje?
Não existe tratamento específico ou vacina voltada para o vírus Nipah. O tratamento é voltado ao controle dos sintomas. Nos casos graves, suporte de terapia intensiva é essencial para a sobrevida do paciente.
Existe risco de novos surtos ou de o vírus se espalhar para outras regiões do mundo?
O vírus Nipah possui transmissão entre seres humanos especialmente nos casos mais graves. Há potencial risco de disseminação para outras regiões em caso de mutação do vírus com maior facilidade de transmissão. Contudo, no atual momento, a evidência sugere que medidas de controle básicas como higiene de mãos, uso de equipamentos adequados para o cuidado dos pacientes, isolamento dos casos são suficientes para conter os surtos. No entanto, caso haja uma mutação do vírus com o surgimento de uma nova cepa capaz de ser transmitida entre humanos de maneira mais fácil, há risco de disseminação para outras regiões. Desta maneira, são fundamentais as medidas de vigilância e controle dos casos de Nipah nas regiões onde ocorrem os surtos. (PO)
