Duas perguntas para

Ana Nery Brigagão, nutricionista clínica graduada e com pós em nutrição humana pela Universidade de Brasília (UnB)

Na sua avaliação, qual é a importância do horário das refeições dentro de uma estratégia nutricional voltada à saúde metabólica?

O horário das refeições tem grande importância na conduta nutricional. O momento em que comemos afeta ritmos hormonais, metabolismo, composição corporal, resposta à dieta e até a saúde intestinal. Dessa forma, é importante considerar o horário das refeições na conduta nutricional. Padrões alimentares desalinhados com o relógio biológico como pular o café da manhã, comer tarde da noite ou manter horários irregulares aumentam o risco de obesidade, resistência à insulina, alterações no sono e inflamação. Além disso, variantes genéticas podem explicar por que alguns pacientes respondem melhor a certos horários de jejum, ou têm mais fome à noite.

Não é só o que comemos, mas quando comemos. O horário das refeições interfere no metabolismo, hormônios e até nos nossos genes. O nosso corpo tem um relógio interno que regula o sono, a temperatura corporal, a produção hormonal, a digestão e o apetite. A alimentação pode sincronizar ou desregular esse relógio. Por exemplo, pessoas com perfil vespertino tendem a pular refeições, comer mais à noite, consumir mais gordura e ultraprocessados e dormir menos. Isso impacta no peso, glicemia e risco cardiovascular.

Essa estratégia de antecipar o jantar e prolongar o jejum noturno pode ser sustentável a longo prazo na rotina da maioria das pessoas?

A estratégia de antecipar o jantar e prolongar o jejum noturno pode ser viável para muitas pessoas, pois é considerada uma das formas de jejum intermitente mais fáceis de integrar na rotina diária. Em vez de cortar dias inteiros de alimentação, ela foca em ajustar o horário da última refeição, respeitando o ritmo biológico natural. Porém, a nutrição é uma ciência complexa, que envolve metabolismo, hormônios, comportamento alimentar, estresse e histórico individual, então, precisamos avaliar individualmente cada indivíduo.  

A nutrição trabalha com evidências científicas e contexto individual. Precisamos ter uma conduta individualizada, com criação de planos alimentares baseados na biologia, genética, microbioma, metabolismo e estilo de vida únicos de cada pessoa. Utilizamos análises precisas, como anamnese, exames bioquímicos, avaliação corporal para indicar uma consulta nutricional.

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