"O voo espacial envolve um custo muito alto, além do risco à tripulação. Por isso, várias etapas precisam ser exaustivamente testadas antes que passos maiores sejam dados. A Artemis II concretiza uma dessas etapas fundamentais. Ela leva o ser humano à órbita lunar, após décadas. O investimento realizado não se limitará a isso. Há um objetivo maior, que é a exploração de minérios lunares. Podemos estar seguros de que novas missões avançarão nessa direção, inicialmente com o pouso na Lua, depois com o estabelecimento de um pequeno posto que pode evoluir para uma base lunar. Contudo, o tempo total para isso ocorrer pode levar mais de 10 anos. Há uma nova corrida espacial, porém em circunstâncias muito diversas. O orçamento da Nasa não é como o da década de 1960; os EUA tentam compensar isso por meio de parcerias privadas. Até que ponto essas empresas arriscariam seus orçamentos? Já pelo lado da China, que investe na exploração robótica, há um orçamento consistente. No entanto, será que eles irão acelerar seu programa por conta da Artemis II? Me parece improvável, pois os chineses trabalham num ritmo diferente, construindo uma estrutura que dura, e não respondendo com pressa às novas mudanças."
Helio Jaques Rocha Pinto, astrônomo e presidente da Sociedade Brasileira de Astronomia
