Momento crítico

"Há dois momentos mais críticos na viagem espacial. O primeiro é quando a nave está decolando, pois todos os motores estão em ação. O segundo é o retorno, porque a nave não tem freios. Se já é difícil descer uma serra com um carro sem freios, imagine sem controle algum voltando do espaço. O único 'freio' que encontrará será a atmosfera terrestre. No entanto, a velocidade aumenta cada vez mais à medida que a nave se aproxima da Terra, devido à força gravitacional, que é continuamente exercida sobre ela. A nave praticamente colide com a atmosfera terrestre em altíssima velocidade.

Com isso, surge uma força contrária — a resistência do ar, porém ela implica em atrito, que leva ao aquecimento. Assim, o veículo precisa ter uma proteção térmica extremamente eficiente para suportar as altíssimas temperaturas às quais será submetida. Esse é um momento muito crítico, pois, se o isolamento térmico falhar, a nave pode se desintegrar, com tudo sendo derretido, destruído e queimado — como já ocorreu em outras missões espaciais."

João Canalle, astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog)

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