"Há um conceito emergente que propõe que a atividade da enxaqueca é moldada por um modelo em camadas que inclui: vulnerabilidade biológica de base; moduladores ambientais de médio prazo, como condições climáticas semanais; e gatilhos agudos como exposição diária à poluição. O modelo explica por que o mesmo poluente pode ter efeitos diferentes dependendo do contexto climático e da susceptibilidade individual. Por exemplo, o NO2 tem efeito mais pronunciado durante as semanas quentes de verão, enquanto o PM2.5 é mais problemático em momentos frios e úmidos no inverno. Essa compreensão sugere que estratégias preventivas devem ser personalizadas sempre. Além disso, deve-se considerar múltiplos fatores simultaneamente, não apenas a poluição isoladamente. O uso de apps, por exemplo, pode ajudar pacientes a identificar seus gatilhos individuais específicos."
Inácia Simões, anestesiologista e especialista em medicina da dor da clínica Saint Moritz
