Saúde pública

Nenhuma gestante vai conseguir viver numa redoma, e não é isso que estou propondo, no entanto, algumas medidas fazem diferença real no dia a dia. Se possível, evitar os horários de pico no trânsito, especialmente para atividades ao ar livre em avenidas movimentadas. Optar por ruas seguras e com menos fluxo de veículos. Em períodos de queimadas ou de má qualidade do ar, que no Brasil são especialmente graves no inverno e na época seca, reduzir atividades externas intensas e ficar atenta aos alertas. Manter ambientes internos bem ventilados, longe de garagens ou vias de grande circulação. A poluição interna pode ser ainda mais prejudicial do que a externa, já que as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes fechados. Tem um ponto que vai muito além do comportamento individual: estudos brasileiros mostram que a exposição a queimadas no primeiro trimestre da gestação aumenta em até 31% a chance de nascimento prematuro na Região Sudeste. Isso conecta diretamente com a vulnerabilidade aumentada que acabei de descrever. Qualidade do ar é pauta de saúde pública e precisamos cobrá-la como tal.

Thatyana Turassa Ernani,
pediatra integrante da plataforma
de consultas Inki

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