O nosso cérebro começa a preparar o corpo para a alimentação antes mesmo da primeira mordida. É o que diz um estudo publicado na quarta-feira (3/6) pela revista Nature Metabolism que identificou um mecanismo que ajuda a explicar como isso ocorre.
Os pesquisadores descobriram que neurônios responsáveis pela sensação de saciedade utilizam reservas de glicogênio, que é uma forma de armazenamento de energia do organismo, para reagir à presença dos alimentos, especialmente ao cheiro e regular o metabolismo antes mesmo da refeição.
“Nosso estudo identifica um mecanismo molecular até então desconhecido que impulsiona a percepção dos alimentos, revelando que o glicogênio neuronal alimenta as respostas antecipatórias do cérebro à comida”, afirma Marc Claret, PhD, que lidera o Laboratório de Controle Neuronal do Metabolismo no Institut d'Investigacions Biomèdiques August Pi i Sunyer e é o co-investigador principal do estudo.
Além disso, o estudo também mostrou que esses neurônios estão ligados principalmente às áreas cerebrais responsáveis pelo olfato, indicando que o cheiro dos alimentos desempenha papel fundamental na preparação do organismo para comer.
O aroma da comida cozinhando no fogão, por exemplo, pode levar o cérebro a enviar sinais ao pâncreas, que por sua vez libera insulina na corrente sanguínea, diz o artigo.
Durante experimentos com ratos, os cientistas observaram que animais sem a capacidade de produzir glicogênio nesses neurônios apresentavam menor interesse pela comida, passavam menos tempo se alimentando e não liberavam insulina antes das refeições.
Segundo os autores, a descoberta pode ajudar a compreender melhor doenças metabólicas como obesidade e diabetes, além de contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos no futuro.
