O amor é benigno. A frase pode soar como mais um clichê desses que o tempo desgastou, mas quem já sentiu na pele sabe que amar também é suportar. Suportar silêncios, ausências, promessas quebradas e, principalmente, a dor de uma alma ferida que continua insistindo em alguém que já aprendeu a machucar.
Porque quando a entrega é unilateral, não adianta… Um continua tentando salvar, enquanto o outro continua testando até onde o amor aguenta. E talvez seja justamente aí que a alma começa a doer, quando um insiste em cuidar daquilo que o outro destrói aos poucos, sem perceber ou talvez percebendo até demais.
Nem 16 anos juntos são suficientes para conhecer completamente o íntimo de alguém. A gente acredita que sabe de tudo, até perceber que algumas pessoas escondem distâncias emocionais impossíveis de alcançar. E é nessa hora que a alma abatida começa a falar mais alto que o coração apaixonado.
Ainda bem que o corpo dá sinais… Porque, do contrário, continuamos investindo no erro, esperando pelo erro, acreditando no erro… Como quem insiste em dar murro em ponta de faca, romantizando feridas que nunca cicatrizam porque continuam sendo abertas pela mesma pessoa.
O mais cruel da dor não é o fim… É perceber que alguém continuava tentando amar, enquanto o outro apenas continuava machucando. É entender que a alma ferida suporta muito mais do que deveria, até chegar o momento em que permanecer deixa de ser amor e passa a ser sofrimento.
Talvez amar também seja repensar a entrega… Repensar até onde vale permanecer em um lugar onde só uma alma luta para manter o amor vivo.
Voa príncipe e faça seu novo caminho, refaça seus passos… Desde aquele dia, que você foi obrigado a dormir em outro quarto…
