Associações de Proteção Veicular Ganham Espaço no Mercado Local

Em tempos de busca por economia e alternativas financeiras mais viáveis, o mercado de proteção veicular em Belo Horizonte tem experimentado um crescimento significativo nos últimos anos. Com promessas de mensalidades mais acessíveis e coberturas semelhantes às oferecidas por seguradoras tradicionais, as associações e cooperativas de proteção automotiva conquistam cada vez mais adeptos na capital mineira.


Em tempos de busca por economia e alternativas financeiras mais viáveis, o mercado de proteção veicular em Belo Horizonte tem experimentado um crescimento significativo nos últimos anos. Com promessas de mensalidades mais acessíveis e coberturas semelhantes às oferecidas por seguradoras tradicionais, as associações e cooperativas de proteção automotiva conquistam cada vez mais adeptos na capital mineira.

Um fenômeno em expansão

As ruas de Belo Horizonte estão cada vez mais marcadas pela presença de veículos identificados com adesivos de associações de proteção veicular. Estima-se que, atualmente, cerca de 30% dos motoristas da cidade optem por esse tipo de serviço em detrimento dos seguros convencionais, segundo dados da Associação Brasileira de Proteção Veicular e Patrimonial (ABPVP).

"O crescimento do setor em BH é notável. Nos últimos cinco anos, vimos surgir dezenas de novas associações na região metropolitana", observa Antônio Ferreira, presidente da ABPVP regional Minas Gerais. "Isso reflete uma demanda reprimida por soluções mais acessíveis de proteção para os veículos."

O funcionamento dessas associações baseia-se no princípio do mutualismo, onde todos os associados contribuem mensalmente para um fundo comum que é utilizado para cobrir os prejuízos daqueles que sofrem sinistros como colisões, roubos ou furtos. Diferentemente das seguradoras tradicionais, as associações não visam lucro, o que teoricamente permite a prática de valores mais baixos.

Perfil dos usuários

O perfil dos motoristas que optam pela proteção veicular em Belo Horizonte é bastante diversificado, mas alguns padrões se destacam. Proprietários de veículos mais antigos, que geralmente enfrentam dificuldades para contratar seguros convencionais ou recebem propostas com valores elevados, constituem uma parcela significativa dos associados.

"Meu carro tem 12 anos e as seguradoras ou recusavam a contratação ou me ofereciam valores absurdos. Na associação, consegui uma proteção completa por um valor que cabe no meu orçamento", relata o professor universitário João Meireles, morador do bairro Caiçara.

Motoristas de aplicativo também representam um grupo expressivo entre os adeptos da proteção veicular. Para Marcos Oliveira, que trabalha como motorista de aplicativo há três anos, a economia é substancial: "Com a quantidade de horas que passo dirigindo, o seguro tradicional ficaria inviável. A proteção veicular me oferece a tranquilidade necessária sem comprometer minha renda."

 A questão da legalidade

Um dos pontos mais debatidos quando se trata de proteção veicular é a sua situação jurídica. Por não estarem submetidas à regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), as associações operam em um cenário que gera questionamentos.

Em Belo Horizonte, o Procon Municipal tem recebido um número crescente de reclamações relacionadas a associações de proteção veicular. "As queixas mais comuns dizem respeito a demora no pagamento de indenizações e falta de clareza nas regras de cobertura", explica Claudia Moreira, coordenadora do órgão.

Por outro lado, defensores do modelo argumentam que a atividade está amparada pelo direito constitucional de livre associação. "Não se trata de um seguro, mas sim de uma proteção mútua entre associados, prática prevista em lei", defende o advogado especialista em direito do consumidor, Roberto Campos.

Em um esforço para trazer mais segurança jurídica ao setor, a Câmara Municipal de Belo Horizonte discute atualmente um projeto de lei que visa estabelecer critérios mínimos para o funcionamento das associações na cidade, como exigências de capital mínimo e transparência nas operações.

 Desafios e oportunidades

O mercado de proteção veicular em Belo Horizonte apresenta tanto desafios quanto oportunidades. Entre os desafios, destaca-se a necessidade de profissionalização das associações. "Ainda vemos muitas entidades operando de forma amadora, sem a estrutura adequada para atender seus associados em caso de sinistros de maior proporção", alerta o consultor financeiro Eduardo Martins.

Outro desafio significativo é a concorrência predatória. Com o aumento do número de associações, algumas praticam valores insustentáveis a longo prazo, colocando em risco sua capacidade de honrar compromissos com os associados.

Por outro lado, as oportunidades são evidentes. A crescente demanda por alternativas econômicas aos seguros tradicionais abre espaço para associações bem estruturadas e transparentes. "As associações que investem em tecnologia, governança e atendimento de qualidade têm tudo para prosperar", afirma Renata Silveira, consultora de mercado.

 Casos de sucesso

Entre as histórias de sucesso no setor em Belo Horizonte, destacam-se associações que conseguiram estabelecer um equilíbrio entre valores acessíveis e serviços de qualidade. É o caso da Associação Mineira de Proteção Automotiva (AMPA), uma das pioneiras na cidade.

"Começamos com 50 associados em 2010 e hoje protegemos mais de 15 mil veículos. Nosso diferencial sempre foi a transparência e o compromisso com os associados", conta Geraldo Fonseca, diretor da AMPA.

A associação implementou um sistema de gestão que permite ao associado acompanhar online o status de sua ocorrência e as movimentações financeiras da entidade. "Acreditamos que a transparência é fundamental para construir confiança", completa Fonseca.

Outro caso de destaque é o da Cooperativa de Proteção Veicular de Belo Horizonte (COPROVBH), que além dos serviços básicos de proteção, oferece benefícios adicionais como descontos em estacionamentos, oficinas e lojas de autopeças.

"Buscamos criar um ecossistema de benefícios para nossos cooperados. Mais do que proteger o veículo, queremos oferecer vantagens no dia a dia", explica Carla Mendonça, presidente da cooperativa.

 O impacto econômico

O crescimento do setor de proteção veicular tem gerado impactos significativos na economia local. Estima-se que as associações e cooperativas com sede em Belo Horizonte movimentem anualmente cerca de R$ 500 milhões, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG).

Além do impacto financeiro direto, o setor é responsável pela geração de aproximadamente 3 mil empregos diretos na região metropolitana, entre colaboradores administrativos, técnicos, vistoriadores e profissionais de atendimento.

Para Lucas Duarte, economista da Fecomércio-MG, o fenômeno da proteção veicular representa uma resposta do mercado às necessidades dos consumidores: "É um exemplo clássico de como o mercado se adapta para atender demandas não satisfeitas adequadamente pelos players tradicionais."

 Perspectivas para o futuro

Quanto ao futuro do setor em Belo Horizonte, especialistas apontam para uma provável consolidação. "É natural que ocorra uma seleção natural, com a permanência das associações mais sólidas e o desaparecimento daquelas que não conseguirem manter padrões adequados de serviço", projeta o analista de mercado Paulo Ribeiro.

A tecnologia deve desempenhar um papel cada vez mais importante, com a adoção de soluções digitais para gestão de riscos, atendimento aos associados e prevenção de fraudes. "As associações que não se digitalizarem ficarão para trás", alerta Ribeiro.

Outro fator que deve moldar o futuro do setor é a possível regulamentação a nível federal. Tramitam no Congresso Nacional projetos de lei que visam estabelecer um marco regulatório para as associações de proteção veicular em todo o país.

"Uma regulamentação equilibrada pode trazer mais segurança para o setor sem inviabilizar o modelo de negócio que beneficia milhares de motoristas em Belo Horizonte", analisa o advogado especialista em direito regulatório, Fernando Teixeira.

Para os motoristas da capital mineira, a mensagem dos especialistas é clara: pesquisar a reputação da associação, verificar sua estrutura física e digital, analisar cuidadosamente o regulamento interno e buscar referências de outros associados são cuidados essenciais antes de aderir a um plano de proteção veicular.

Com a evolução do mercado e o amadurecimento do setor, a expectativa é que a proteção veicular se consolide como uma alternativa viável e segura para os motoristas de Belo Horizonte que buscam proteger seu patrimônio de forma economicamente sustentável.

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