Conhecida por sua presença nas telas da TV Globo, Caroline Dallarosa prepara agora sua incursão no mercado editorial com o projeto “De Coração”. Longe de ser apenas um romance de estreia, a obra surge como uma curadoria cultural, onde a trama da protagonista Anne é indissociável de uma trilha sonora que atravessa gerações. A atriz, que sempre demonstrou afinidade com a estética contemporânea, utiliza a música não como plano de fundo, mas como o próprio esqueleto de sua narrativa.
A estrutura do livro aposta em uma experiência multissensorial, conectando capítulos a faixas emblemáticas através de QR codes. Entre as escolhas que fundamentam a obra, destacam-se clássicos modernos como “Summertime Sadness”, de Lana Del Rey, e a densidade acústica de “Cherry Wine”, do cantor irlandês Hozier.
Para Dallarosa, essas canções carregam o peso emocional necessário para traduzir o que o texto, por vezes, prefere deixar nas entrelinhas: “Tem músicas que conseguem traduzir muito bem certos estados de espírito. Quando penso nos momentos mais melancólicos da Anne, eu sempre lembro da atmosfera de ‘Summertime Sadness’".
"É uma sonoridade que já está muito no DNA da nossa geração, sabe? E minha intenção era justamente essa: às vezes a gente está sentindo alguma coisa e procura na playlist uma música que converse com aquele momento. Quis criar essa mesma conexão na escrita. O leitor encontra a referência e já entende qual será a vibração daquela página”, explica.
O enredo, que gira em torno de cartas anônimas e dilemas existenciais, utiliza o mistério como fio condutor para discussões sobre a vida adulta. Caroline, que na ficção viveu a Anjinha de “Malhação: Toda Forma de Amar”, Arminda em “Além da Ilusão” e, em meados de 2025, Camila em “Garota do Momento”, evita o tom puramente idealista, trazendo à tona as inseguranças e os reveses necessários para o amadurecimento: “Apesar de ser um romance e ter seus momentos mais mágicos, eu não quis criar uma história distante da realidade".
"Pelo contrário, queria falar de coisas que fazem parte da vida de todo mundo: medo, frustração, escolhas difíceis, a sensação de estar perdido às vezes. Acho que o amor existe no meio da correria e das adversidades. Ele vem junto de desafios, de conflitos, de amadurecimento. E, pra mim, isso o torna ainda mais humano e verdadeiro", completa.
Estrategista, a artista já planeja o lançamento com uma visão de longo prazo que une seus dois mundos: o audiovisual e a escrita. Caroline admite que a construção da trama foi pensada para uma possível transposição para as telonas: "Eu adoraria ver esse trabalho nas telas de cinema, mas sei que ainda tem muita coisa para acontecer. Enxergo este livro como o ponto de partida de um universo maior; já planejo uma sequência para a história da Anne, pois sinto que ela ainda tem muito a dizer".
"Meu objetivo agora é consolidar esse primeiro passo e deixar que o público se conecte com essa atmosfera antes de expandirmos para outros formatos, mas definitivamente é algo que me interessa", conclui Dallarosa.
