A morte do fisiculturista Gabriel Ganley voltou a chamar atenção para os perigos do uso indiscriminado de insulina no universo da musculação e do fisiculturismo. O caso ganhou repercussão após reportagens abordarem os riscos associados ao uso da substância para fins estéticos e de hipertrofia muscular.
Embora a insulina seja essencial no tratamento do diabetes, alguns atletas passaram a utilizar o hormônio como estratégia para acelerar o ganho de massa muscular. Segundo o Dr. João Marcello Branco, médico especialista em Medicina Desportiva, Ortomolecular e Endocrinologia-Metabologia, isso acontece porque a substância favorece a entrada de glicose nas células musculares.
“A prática do uso da insulina por fisiculturistas reflete por se tratar de um hormônio que mais consegue jogar carboidrato para dentro da célula, estimulando as vias de síntese proteica e síntese de DNA da célula, fazendo com que a célula muscular ganhe volume e tamanho de uma maneira mais rápida”, explica o especialista.
Além disso, o médico afirma que a insulina também estimula o apetite, algo buscado por atletas que precisam consumir grandes quantidades de alimentos durante períodos de ganho de massa.
“A insulina é um dos hormônios do corpo natural que mais tem efeito orexígeno, que gera fome. Então, ela ajuda em gerar hipoglicemia, sinalizando positivamente a fome. Assim, eles conseguem comer mais volume de uma maneira mais rápida”, completa.
Apesar da popularização do assunto nas redes sociais e em alguns meios esportivos, o especialista reforça que o uso da insulina para fins estéticos ou de performance física é contraindicado.
“A insulina está contraindicada para qualquer outra finalidade a não ser no diabetes tipo 1 e em alguns casos específicos do diabetes tipo 2. Para fins estéticos, musculação ou ganho de massa muscular, ela está completamente contraindicada em função de gerar muito maior risco e risco de morte do que benefício”, alerta.
O principal risco está relacionado à hipoglicemia severa, quadro em que os níveis de açúcar no sangue caem drasticamente. Segundo o médico, muitos usuários tentam equilibrar a dose aplicada com a ingestão de carboidratos, mas desconsideram a produção natural de insulina pelo próprio organismo.
“O problema é que existe a quantidade de insulina aplicada e supostamente eles fazem um cálculo de quantidade de carboidrato para neutralizar aquela quantidade de insulina. Só que eles têm a própria produção dentro do organismo. Então, a insulina interna soma com a insulina que vem de fora e aí o risco maior é a hipoglicemia severa”, afirma.
Entre os sintomas mais graves estão tontura intensa, sensação de “teto preto”, desmaios e perda de consciência. Em casos extremos, a situação pode evoluir rapidamente para risco de morte.
“Se a pessoa estiver consciente, tem que usar carboidratos de alta absorção, como suco de laranja, balas ou até refrigerante comum. Mas se houver sensação de desmaio ou perda de consciência, ela deve ser levada imediatamente para uma emergência”, orienta.
O especialista também destaca que pacientes diabéticos normalmente contam com acompanhamento médico e podem portar glucagon, substância utilizada para reverter crises graves de hipoglicemia. Já pessoas que utilizam insulina de forma irregular geralmente não possuem preparo adequado para lidar com emergências.
Com a busca crescente por resultados rápidos no universo fitness, médicos reforçam o alerta sobre os riscos do uso de substâncias sem indicação clínica e ressaltam a importância do acompanhamento profissional para preservar a saúde e evitar consequências graves.
