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Saiba quais hábitos podem ajudar a controlar o lipedema, que atinge famosas e milhões de brasileiras

Especialista em nutrição esportiva e musculação e reabilitação, Daniel Reis lista quais exercícios podem agravar os sintomas da doença

Por muitos anos, mulheres com pernas desproporcionalmente maiores, dores frequentes, inchaço e dificuldade para reduzir gordura localizada ouviram que o problema estava relacionado apenas ao excesso de peso ou à falta de atividade física. Hoje, sabe-se que muitas delas convivem com o lipedema, uma doença crônica que afeta cerca de 10% a 12% das mulheres no Brasil e no mundo e pode impactar significativamente a qualidade de vida.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após personalidades como Paolla Oliveira, Yasmin Brunet, Juliane Massaoka e Rafa Brites compartilharem publicamente seus diagnósticos e experiências com a condição.

Segundo Daniel Reis, nutricionista e personal trainer, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, enquanto pés e mãos geralmente não são afetados.

"Além da alteração física, muitas mulheres relatam dor ao toque, sensação de peso nas pernas, inchaço que se intensifica ao longo do dia, cansaço, aumento da sensibilidade e surgimento frequente de hematomas, mesmo após pequenos impactos. Outro sinal bastante comum é a dificuldade de reduzir o volume das áreas afetadas, mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios", explica o mestre em Ciências do Movimento Humano e Reabilitação.

Um marco importante ocorreu com a entrada em vigor da CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde (OMS), que passou a reconhecer oficialmente o lipedema como uma condição específica. O reconhecimento representa um avanço importante para o diagnóstico, o desenvolvimento de pesquisas e a ampliação das opções de tratamento.

Embora ainda não exista cura definitiva, especialistas apontam que mudanças no estilo de vida podem ajudar no controle dos sintomas e na progressão da doença.

"A prática regular de exercícios físicos é uma das principais estratégias. Musculação, caminhadas, ciclismo, hidroginástica e atividades aquáticas costumam trazer benefícios para a circulação, preservação da massa muscular, redução do desconforto e melhora da funcionalidade", afirma Daniel.

O especialista ressalta que algumas atividades de alto impacto podem aumentar o desconforto em determinadas pacientes, especialmente quando não há acompanhamento adequado. Entre elas estão corridas intensas, exercícios com saltos repetitivos e treinos que geram elevada sobrecarga nas articulações.

"Essas atividades podem aumentar o estresse mecânico sobre os tecidos já sensibilizados, elevar a sobrecarga articular e dificultar o retorno linfático em algumas pessoas. Por isso, a prescrição do exercício deve ser individualizada", explica.

Segundo Daniel, a alimentação também desempenha papel importante no manejo da doença. Dietas ricas em vegetais, frutas, proteínas de qualidade, fibras e gorduras saudáveis podem contribuir para a redução de processos inflamatórios. A estratégia nutricional costuma incluir ainda a redução do consumo de ultraprocessados, açúcares, bebidas alcoólicas e excesso de sódio.

Além disso, nutrientes como vitamina D, vitamina C, vitaminas do complexo B, magnésio, zinco, selênio e ômega-3 podem auxiliar no funcionamento adequado do organismo e contribuir para a saúde muscular, vascular e imunológica.

"A hidratação também merece atenção. Embora a ingestão de água não elimine a gordura característica do lipedema, ela favorece a circulação sanguínea e linfática, ajuda a reduzir a sensação de inchaço e participa de diversos processos metabólicos importantes para o organismo", acrescenta.

O especialista destaca ainda que recursos como drenagem linfática, uso de meias compressivas, controle hormonal, sono adequado e acompanhamento multiprofissional podem contribuir para o bem-estar e o controle dos sintomas.

"Muitas mulheres convivem durante anos com o lipedema sem receber um diagnóstico adequado, já que a condição frequentemente é confundida com obesidade ou retenção de líquidos. Quando identificada precocemente, é possível adotar estratégias que ajudam a controlar sua progressão e minimizar os impactos na rotina", conclui.

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