Cliques que eternizam

Em comemoração ao Dia Mundial da Fotografia, o Correio homenageia os profissionais do cenário das artes visuais da cidade

Maria Baqui*
postado em 18/08/2020 22:55 / atualizado em 19/08/2020 08:46
 (foto: Diego Bresani/Divulgação)
(foto: Diego Bresani/Divulgação)

Comemorado em 19 de agosto, o Dia Mundial da Fotografia foi criado como homenagem ao surgimento do primeiro aparelho apto a absorver um retrato. O daguerreótipo foi desenvolvido pelo francês Louis Daguerre, em 1839. O trabalho do fotógrafo pode ser traduzido em cliques e com as finalidades de eternizar sensações, emoldurar momentos, documentar emoções e até sentir por meio de imagens.

A fim de homenagear nomes que representam a profissão no Distrito Federal, o Correio conversou com fotógrafos que nos contaram pouco da trajetória no ramo e como tem sido a reinvenção profissional em meio à pandemia do novo coronavírus. Assim como outros ofícios, a área foi prejudicada com o advento da doença, mas, ainda assim, para os profissionais, é tempo de adaptação e de recriar as técnicas.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

Renato Mori, 23 anos
“Minha vida é trabalhar com a cena cultural em Brasília. Sou apaixonado por música e por fotografar artistas. Eu sinto que esse tipo de fotografia autoral é importante para mostrar para uma futura geração como era o comportamento, a moda, a parte visual da sociedade. Eu enxergo que a cultura de Brasília está sendo construída agora, a cada dia. Mas, por causa da pandemia, a área cultural foi bastante prejudicada. No momento, tenho investido em editoriais de moda, videoclipe e cinema. O que antes era mais espontâneo, agora tem uma produção maior nos bastidores.”

Diego Bresani, 37 anos
“O retrato é o protagonismo do meu trabalho. Já que sou formado em artes cênicas, eu gosto dessa relação com o outro, sempre imprevisível. Iniciei antes da pandemia um projeto para mostrar pedestres anônimos de Brasília, mas está um pouco parado. Neste período, passei meses sem encostar na câmera, até para ressignificar minha relação com a fotografia. Trabalhei poucos retratos, mas de umas semanas pra cá, as demandas voltaram a aparecer.”

Thaís Mallon, 31 anos
“Eu sou especializada em fotografia cultural há 10 anos, por isso, entrei para a Revista Traços. Tenho investido bastante em fotografia remota, por meio de aplicativos de videochamada. Assim, eu consigo dirigir a personagem, mesmo que à distância, para produzir a fotografia. É um processo de resiliência muito grande. Éramos acostumados com fotografia bruta e, agora, temos que nos adaptar a processos com resolução reduzida. É um processo novo, totalmente diferente, mas estamos registrando o que vivemos agora, é muito importante.”

Bruno Cavalcanti, 26 anos
“Eu sou fotógrafo em eventos culturais em Brasília, com foco no público LGBTQIA+. Além disso, sou apaixonado por registrar a natureza do Cerrado. Eu adoro viajar para a Chapada dos Veadeiros ou fazer trilhas para fotografar. Mas fiquei três meses parado na quarentena. Agora, estou produzindo uma série com amigos que estão isolados comigo. Utilizo minha casa, os objetos e plantas que tenho como cenário. Gosto de documentar o meu toque, a minha essência. Para nós que trabalhamos com cultura, é o último setor que voltará a funcionar, então, estou abrindo o leque.”

Craques do Correio Braziliense

Ed Alves, 45 anos
“Sou fotógrafo 24 horas por dia. Sempre quis fotografar e contribuir com a sociedade. Sinto que, neste momento, estou registrando história, um momento que está mudando o mundo. Em 10 anos, vamos lembrar disso e os fotógrafos terão contribuído para criar lembranças dessa época. Mas temos que entender que não somos super-heróis, precisamos de saúde para encarar esse desafio. Estamos suscetíveis ao vírus, por isso, preciso me proteger, cuidar da minha família e dos colegas de profissão.”

Minervino Júnior, 40 anos
“A fotografia tem um grande poder, expressar uma ideia para casar direito com o texto. É muito gratificante passar informação para as pessoas. Agora, estamos trabalhando no front e não sabemos até onde podemos nos arriscar. A interpretação da fotografia mudou, o poder de captar expressões faciais ficou submerso pelo uso da máscara. Com o isolamento, consegui mostrar Brasília de uma outra perspectiva, vazia como uma cidade-fantasma. É um momento de mudança na sociedade, desde o recolhimento ao ressurgimento, um novo aspecto visual.”

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