Filme juvenil

Sexo e sonoridade embalam o filme juvenil Música para morrer de amor

Em entrevista ao Correio, diretor Rafael Gomes comenta da comunicação junto à geração desencanada com a fluidez sexual

Ricardo Daehn
postado em 29/08/2020 09:45
 (foto: Vitrine Filmes/ Divulgação)
(foto: Vitrine Filmes/ Divulgação)

Música, amor e sexo são elementos que se encaixam e desconectam na trama do segundo filme assinado por Rafael Gomes: Música para morrer de amor. Movido pelo trio de protagonistas Ricardo (Victor Mendes), Isabela (Mayara Constantino) e Felipe (Caio Horowicz), o longa, disponível nas plataformas do Now, do VivoPlay e do OiPlay, aborda camadas psicológicas dos personagens adaptados da premiada peça Música para cortar os pulsos, criada há dez anos pelo mesmo diretor do filme Rafael Gomes.

Ele vê aspectos complementares da carga psicológica e da sexualidade, "graficamente insinuada". "De caso pensado, o planejamento é de que houvesse uma balança: o problema dramático do filme é psicológico, mas, no que diz respeito à sexualidade, existe ação visual que acompanha essa vida interior. Tendo a não separar as duas coisas, como se fossem contraposições", observa.

A fluidez sexual se ramifica entre alguns personagens, no longa-metragem. Entre bifurcações amorosas, Isabela, por exemplo, tem um ex-namorado (papel de Ícaro Silva), a todo tempo, ao redor dela. Num papel divertido, Denise Fraga comparece na pele da liberal mãe de Felipe. Este, por sinal, está num ciclo que traz muitas colegas de trabalho lésbicas. Com ressalvas, o cineasta debate a possibilidade de parcela do público ter o entendimento de uma indução de modelos. "Não acho que a exposição represente, por si só, indução. Nem da fluidez sexual, nem de outros comportamentos. Mas entendo que alguém que, por uma série de fatores e circunstâncias, se sinta propenso a algo possa se sentir mais confiante a realizar este algo, na medida em que se depare com uma representação afirmativa daquilo", sentencia.

Conexão sonora

Um elemento nítido a marcar o enredo de Música para morrer de amor está numa ideia, planejada e viabilizada pelo diretor musical do filme, Marcus Preto. Números musicais de Tim Bernardes, Clarice Falcão, Maria Gadu, Fafá de Belém e Maurício Pereira — todos presentes em cena — dão mais fôlego à trama. "Marcus me provocou com essa possibilidade e eu abracei a ideia. A rede de contatos dele no mundo da música, aliada à generosidade e ao afeto dos músicos convidados, possibilitou estas participações muito especiais", enfatiza Rafael Gomes. Um dos momentos especiais, veio com o número protagonizado por Milton Nascimento.

O personagem do ator Ícaro Silva, durante o show do músico, no Festival Coala de 2018, descaradamente, invade o palco. "Toda a equipe de bastidores e palco sabia, mas esqueceram de avisar um dos técnicos — que, portanto, tentou tirar o Ícaro do microfone. E a plateia também não foi avisada que estávamos filmando uma cena, de modo que muita gente não deve ter entendido absolutamente nada do que estava acontecendo", diverte-se o cineasta, ao dar o leve spoiler.

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