Quadrinhos

HQ feminista trata da mudança de rotina das mulheres na quarentena

'Família Ghee' foi o nome escolhido para a obra. A ideia é mostrar, com ironia, o cotidiano de uma família em isolamento

Maria Baqui*
postado em 30/08/2020 08:00
 (foto: Johanna Thomé/Divulgação)
(foto: Johanna Thomé/Divulgação)

Desenvolvido em meio ao isolamento social, o HQ Família Ghee terá o primeiro episódio publicado em 1º de setembro. Com uma série de 12 capítulos, a história busca retratar, de maneira lúdica e irônica, as transformações que a sociedade patriarcal trouxe para as mulheres durante a quarentena. Os episódios serão disponibilizados diariamente pelo Instagram.

A criação da história feminista em quadrinhos ficou por conta das artistas Johanna Thomé, Lara Ovídio e Mykaela Plotkin, que montaram todo o conteúdo via Skype. “Família Ghee surge a partir de uma notícia que os homens estão publicando muito mais artigos acadêmicos que mulheres durante a pandemia. Isso nos levou a criar um quadrinho dentro deste contexto”, explica Lara Ovídio em entrevista ao Correio.

A intenção, para ela, é retratar o cotidiano de uma família que precisa se reinventar durante este momento delicado. A narrativa é protagonizada por uma mulher, mãe e casada, que, com os desdobramentos da rotina em isolamento, repara que a vida a qual estava acostumada a viver está indo por água abaixo.

 

HQ feminista Família Ghee
HQ feminista Família Ghee (foto: Johanna Thomé/Divulgação)

“Um desenho pode ser muito didático, passar várias informações e alcançar pessoas que não costumam ler sobre certos temas”, reflete Johanna Thomé, que não deixa de enfatizar o lado divertido do quadrinho. Segundo as artistas, o gênero abordado é uma autocrítica, que gera reflexões intensas sobre um “novo normal”.

A utilização da ironia no texto veio como quebra de estigmas sociais como o “machismo estrutural, aumento do número de divórcios durante a pandemia e a disparidade da produtividade de mulheres e homens durante o confinamento”. Além disso, para tratar de questões como demandas do lar e fantasias do instinto materno, elas fazem uso do sarcasmo.

*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel

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