Representatividade

Conheça Klébio Damas, youtuber que mescla causa LGBT e cultura

Em entrevista ao Correio, Klébio Damas fala sobre como a cultura pop é importante dentro do ambiente LGBT

Pedro Ibarra*
postado em 03/09/2020 19:00
O youtuber toca o canal Mundo Paralelo -  (foto: Vira Comunicação/Divulgação)
O youtuber toca o canal Mundo Paralelo - (foto: Vira Comunicação/Divulgação)

A cultura tem um papel essencial na representatividade por meio da arte. Nesta busca por representação que Klébio Damas começou o próprio trabalho no YouTube. Atualmente, ele vê a importância da relação que tinha com o mundo pop para a formação da pessoa que se tornou. Com pouco mais de um milhão de seguidores no canal Mundo Paralelo, agora Klébio trabalha em ser a figura que ele precisava quando se descobria LGBT para os próprios espectadores.

As descobertas de sexualidade do Klébio tiveram um início na forma como ele consumia cultura. Morador de uma cidade do interior de São Paulo, ele não tinha tanto contato com a comunidade LGBT, nem com o assunto. “Eu vivia num meio heteronormativo e a primeira vez que tive algum tipo de contato com algo com a temática LGBT foi em um clipe da Lady Gaga, Love game, em que a cantora beija uma mulher”, lembra o youtuber.

O caminho para o entendimento do que é ser LGBT veio também do consumo cultural e estudo para o influencer. “Eu comecei a assistir cada vez mais filmes, séries e livros sobre esta questão. Então passei a entender um pouco mais e criar mais empatia, mesmo antes de me entender e me aceitar como LGBT. Ver isso tudo no meu cotidiano acabou normalizando e me despindo de preconceitos, aquilo ficou mais aberto pra mim”, conta Klébio. Ele atribui a cultura uma grande e importante parcela da formação dele como um ser humano cosmopolita.

Damas, então, começou um canal no YouTube para falar sobre livros, uma paixão própria. No entanto, foi trabalhando no próprio conteúdo que ele percebeu que tinha uma oportunidade: ser a representação que nunca teve quando era jovem. “Existiam alguns canais que falavam de temática LGBT, mas nenhum na linguagem que eu era acostumado a consumir e eu acabava não me vendo representado ali, pois por mais que tinham outros LGBTs no meio, ninguém falava do jeito que eu queria escutar”, explica o criador de conteúdo. “ Então eu falei ‘já que não tem ninguém falando, eu vou lá e falo’ e comecei a tratar das questões LGBTs”, completa.

“Eu acho muito legal que hoje eu gravo muito meu dia a dia com meu noivo, porque eu sei que eu, crescido no interior de São Paulo, mostrando minha vida hoje, ajudaria muito o Klébio do passado”, analisa. Nesses tempos em que se viu como um influenciador de novas gerações Klébio passou a atribuir mais importância a mensagem que passa, para ser ele uma pessoa que desmistifica o que é ser LGBT para o próprio público. “O preconceito é a falta do conhecimento, então ter o conhecimento é uma arma muito forte”, apresenta Damas sobre a estratégia que pensa para o próprio canal.

Novos tempos

Para o youtuber, os entendimentos sobre a comunidade LGBT estão passando por um período de mudança, apesar de ainda ter muito pela frente. Klébio Damas atribui a nova geração que trata dos temas com mais naturalidade e assume que por mais que a explicação ainda seja importante, já está na hora de virar o disco e os LGBTs poderem usar da própria voz para tratar de assuntos que não só digam respeito a própria sexualidade.

“Lá atrás quando eu comecei a falar no meu canal, eu sentia que era obrigado a explicar a diferença entre bi e pan, por exemplo, ou explicar o empoderamento, porque não tinha nada no meio na minha linguagem. Mas sinto que hoje em dia as pessoas LGBTs estão cansadas de só falar sobre a temática LGBT. Negros também não precisam só falar sobre causa negra, gordos só falar sobre gordofobia. Nós sabemos falar sobre outras coisas, e está tendo um movimento muito legal de que tem vários LGBTs entrando pra falar de outros assuntos”, avalia o produtor de conteúdos. “Ainda precisamos falar sobre o sofrimento dos LGBTs, mas não precisa ser o filme todo sobre isso sempre”, completa.

LGBT e cultura pop

Para unir os dois temas Klébio Damas fez para o Correio uma lista especial de indicações de filmes, séries e livros que ele acredita tratar de forma interessante a temática LGBT. O youtuber acredita que sempre é tempo de entender mais sobre a causa e o orgulho LGBT deve ser mais que só o mês de junho. Confira a lista:

Filmes

Cena do filme Hoje eu quero voltar sozinho, com Gabriel (Fabio Audi) e Leonardo (Guilherme Lobo)
Cena do filme Hoje eu quero voltar sozinho, com Gabriel (Fabio Audi) e Leonardo (Guilherme Lobo) (foto: Guilherme Freitas/Lacuna Filmes)

Hoje eu quero voltar sozinho
Filme nacional, do diretor Daniel Ribeiro, conta a história de Leonardo e Gabriel, dois garotos que se apaixonam e descobrem um pouco mais a própria sexualidade. “O filme é bem leve e traz uma visão nacional do tem”, explica Klébio.

Cena do filme 'Bohemian Rhapsody'.
Cena do filme 'Bohemian Rhapsody'. (foto: Reprodução/Internet)

Bohemian Rhapsody
Cinebiografia de Freddie Mercury e sobre o início e auge do Queen, uma das principais bandas da história. “O filme é interessante por falar da bissexualidade de Mercury como um ponto da vida dele, e não a sexualidade com tudo que ele é. Trabalha o tema de forma perfeita, sem ser massante, mas de um jeito necessário”, indica.

Séries

Imagem da série 'Pose'
Imagem da série 'Pose' (foto: FX/Divulgação)

Pose
A série de Ryan Murphy acompanha a história de mulher trans que abre a própria casa para abrigar pessoas da comunidade LGBT. A produção ainda aborda como eles eram tratados na época em que começaram as primeiras manifestações sobre o tema nos anos 1980 e 1990. A obra é a indicação de Klébio. “É uma das séries que tratam sobre o tema mais importantes que já existiram na minha opinião”, pontua.

HOLLYWOOD
HOLLYWOOD (foto: SAEED ADYANI/NETFLIX)

Hollywood
Também de Ryan Murphy, a minissérie da Netflix segue personagens em busca da fama em uma Hollywood com os desafios e preconceitos que cada um sofre neste trajeto. “Separei essa série assim como Pose, porque ela trata de causa LGBT, mas não é maçante, é divertida e qualquer pessoa vai gostar de ver”, conta.

Livros

Capa do livro 'Simon vs. a agenda homossapiens
Capa do livro 'Simon vs. a agenda homossapiens (foto: HarperCollins/Divulgação )

Simon Vs. Agenda Homossapiens
Um livro sobre as descobertas do adolescente Simon, que é gay, mas ainda não assumiu a homessexualidade publicamente, há uma adaptação cinematográfica chamada Com amor, Simon. “É um clichê de adolescente, mas os LGBTs nunca tiveram o clichê, nunca tiveram o romance água com açúcar, e agora podem ter”, comenta Klébio Damas.

Capa do livro "Todo dia"
Capa do livro "Todo dia" (foto: Galera Record/Divulgação)

Todo dia
Um ser espiritual, chamado A, acorda cada dia em um corpo diferente e aprende a se apaixonar por pessoas diferentes, independentemente de como elas são. O livro também possui uma adaptação cinematográfica. “Um livro de fantasia que aborda não só o tema LGBT, mas toda a diversidade. O ser não se importa com cor, forma ou sexualidade, mas sim com a essência de quem ele se apaixona”, indica o youtuber.

*Estagiário sob supervisão de Adriana Izel

  • Capa do livro
    Capa do livro "Todo dia" Foto: Galera Record/Divulgação
  • Capa do livro 'Simon vs. a agenda homossapiens
    Capa do livro 'Simon vs. a agenda homossapiens Foto: HarperCollins/Divulgação
  • Imagem da série 'Pose'
    Imagem da série 'Pose' Foto: FX/Divulgação
  • HOLLYWOOD
    HOLLYWOOD Foto: SAEED ADYANI/NETFLIX
  • Cena do filme Hoje eu quero voltar sozinho, com Gabriel (Fabio Audi) e Leonardo (Guilherme Lobo)
    Cena do filme Hoje eu quero voltar sozinho, com Gabriel (Fabio Audi) e Leonardo (Guilherme Lobo) Foto: Guilherme Freitas/Lacuna Filmes
  • Cena do filme 'Bohemian Rhapsody'.
    Cena do filme 'Bohemian Rhapsody'. Foto: Reprodução/Internet

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