JUSTIÇA

Luísa Sonza é processada por suposto ato racista; cantora nega

Episódio teria ocorrido em setembro de 2018. À época, segundo o processo, Sonza teria agredido a autora com um tapa no braço e lhe ordenado, de maneira ríspida, que buscasse um copo de água

Maíra Alves
postado em 18/09/2020 16:28
 (crédito: Reprodução/Instagram)
(crédito: Reprodução/Instagram)

A cantora e compositora Luísa Sonza está sendo processada por um suposto ato racista cometido em setembro de 2018, durante um festival gastronômico na Pousada Zé Maria, em Fernando de Noronha (PE).

A autora da ação, Isabel Macedo de Jesus, alega que, à época, a artista a teria agredido fisicamente com um tapa no braço e mandado que ela lhe servisse água. A cantora nega e diz se tratar de uma “mentira” (leia mais abaixo).

O processo tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na 19ª Vara Cível. Isabel Macedo pede R$ 10 mil de indenização por danos morais para Luísa e para a Pousada Zé Maria, assim como retratação pública e a "fixação de cartazes informativos sobre a proibição de práticas racistas no interior do restaurante, a título de medida educativa".

"Ocorre que, durante o festival, houve uma apresentação musical da Primeira Ré (Luísa Sonza), estando a autora (Isabel) em uma mesa próxima ao palco onde a artista se apresentava. Todavia, ao passar pela cantora, enquanto se dirigia ao banheiro, a Autora foi agredida com um tapa no braço pela Primeira Ré e ordenada em tom ríspido a providenciar um copo d'água", diz um trecho do documento.

Segundo o processo, Isabel não entendeu o que estava acontecendo e pediu para que Luísa repetisse, pois “não havia compreendido a abordagem”. Foi quando a artista, novamente, “em tom ríspido”, ordenou que Macedo buscasse um copo de água, pois estava com sede.

“Estarrecida, a Autora ainda se deu ao trabalho de lhe explicar que era uma cliente do estabelecimento e não funcionária do local, como se não fosse crível que uma mulher negra pudesse estar naquele restaurante na qualidade de cliente", justifica o processo.

Ainda de acordo com o texto, Isabel pontua que todos os funcionários da pousada estavam uniformizados, o que eliminaria as chances de um possível equívoco. Com isso, a autora, voltou a questionar Sonza. 

"Ao ser indagada por qual motivo acreditou que a Autora fosse funcionária do local, uma vez que todos os funcionários estavam uniformizados, a Primeira Ré [Luísa] se esquivou, não deixando dúvidas que sabia que havia feito um julgamento preconceituoso em razão dos traços raciais da Autora."

Procurada, a Pousada Zé Maria não se manifestou.

Pronunciamento no Twitter

Ainda nesta quinta-feira (17/09) a cantora se pronunciou por meio do Twitter, alegando que as acusações não passam de “mentiras” e que jamais teria esse tipo de atitude. Ela pede para que os fãs não acreditem, e ressalta que a equipe jurídica já está tomando as devidas providências quanto ao caso. Veja:

“Acusações falsas”

A assessoria de imprensa da cantora informou que Luísa não foi citada em nenhuma ação e que as acusações são falsas.

"A assessoria jurídica da artista Luísa Sonza, através do seu advogado José Estavam Macedo Lima, vem a público informar que tomou conhecimento do referido processo pela mídia. Que a cantora até a presente data não foi citada de nenhuma ação que venha a lhe imputar o fato que está sendo noticiado. Que as acusações são falsas, inverídicas e vêm em um momento oportunista em razão do crescimento exponencial da carreira da artista. Informa, ainda, que nunca ofendeu ou discriminou qualquer pessoa”, disse, em nota.

"Causa estranheza as acusações de racismo, pois até a presente data a artista não recebeu qualquer notificação das autoridades policiais sobre a suposta investigação. Todas as medidas administrativas e judiciais serão adotados para proteger a honra e a intimidade da artista”, finalizou.

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