Rock (ainda) vigoroso

Confira a retrospectiva de bandas e artistas que marcaram presença em 2020 com álbuns inéditos e regravações de clássicos do gênero

Lisa Veit*
postado em 01/01/2021 22:40
 (crédito: Sony Music/Reprodução)
(crédito: Sony Music/Reprodução)

Desde a origem, nos anos 1950, o rock n’ roll é o grito de liberdade e a expressão do espírito jovem. Sobretudo, hoje, o rock é também resistência e resiliência. Por esse motivo, encarou o desafiador e distópico ano de 2020, marcado pelas mudanças repentinas provocadas pela pandemia. O cenário trouxe preocupações e privações a toda classe artística e, principalmente, grande perda humana. Este ano, o público despediu-se, dentre tantos outros, de nomes como o icônico guitarrista Eddie Van Halen e do baixista Mark Stone (Van Halen); também do vocalista Bruce Williamson (The Temptations); do compositor de clássicos do rei Elvis Presley, Mac Davis; e de Pelle Alsing, baterista do Roxette. Entre os nacionais, Ciro Pessoa, membro fundador do Titãs; Moraes Moreira, dos Novos Baianos; e mais recentemente Paulinho, vocalista do Roupa Nova.

Mas a produção não parou, afinal, rock é atitude. Reinvenção, adaptação e novo normal foram algumas das expressões mais usadas para descrever os processos de reencontro com o público e de continuidade aos trabalhos. Entraram em cena, as lives nas redes sociais, shows drive-in e plataformas digitais, como alternativas ao distanciamento social, possibilitando o lançamento de singles e álbuns de grandes nomes do rock nacional e internacional. Em janeiro, a banda de hard rock e post grunge Foo Fighters lançou o EP 00959525, em comemoração aos 25 anos do álbum de estreia (autointitulado), na série de arquivos Foo files. Enquanto isso, no Brasil, Os Mutantes iniciavam a promoção do inédito ZZYZX, 11º álbum da carreira, que traz uma proposta intergalática, tendo como referência a rota estadunidense: aárea 51.

No mês seguinte, aos 71 anos, Ozzy Osbourne surge com as 11 faixas de Ordinary man, 16º álbum de estúdio do artista, que chega uma década depois do último lançamento solo. O novo trabalho do ex-vocalista do Black Sabbath, considerado a obra mais bem-sucedida da carreira pós-banda, se destaca pelas parcerias e mistura de gêneros. Fevereiro também trouxe inéditas e relançamentos da banda de metal Avenged Sevenfold, no álbum Diamonds in the rough. No Brasil, os mineiros do Sepultura deram continuidade ao legado do thrash/heavy metal, mantendo a forma e brilhantismo no disco Quadra, 15º álbum de estúdio da banda, lançado com 12 faixas.

Março foi marcado pelo lançamento dos veteranos do rock alternativo e hard rock, Pearl Jam: Gigaton. Com 12 faixas, o 11º álbum de estúdio traz nuances clássicas da banda de Seattle. liderada por Eddie Vedder, mas também passeia por outros estilos, em tons experimentais. A banda brasiliense Scalene, por sua vez, lançou na mesma época um trabalho de extensão de Respiro (2019). O EP Sessão respiro tem sete faixas e recicla alguns sucessos do grupo, como Milhares como eu (2013), e Furacão (2015).

Plataformas

O Titãs marcou presença no ano com Trio acústico, EP 01, 02 e 03. O primeiro foi lançado em abril. No material de tracklist reduzida, com oito faixas cada, os três membros fixos do grupo: Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto, regravaram músicas da carreira em formato acústico. Nos EUA, a banda de rock alternativo The Strokes, febre nos anos 2000, lançou nas plataformas digitais The new abnormal (em tradução livre, O novo anormal, quase como uma referência aos novos tempos, se o nome não tivesse sido escolhido em 2018, em relação aos desastres naturais da Califórnia).

Chegando à metade do ano, o público pôde conferir o novo trabalho de Frejat, 12 anos após o último lançamento de inéditas. Com 13 canções, Ao redor do precipício é o primeiro desde que deixou o Barão Vermelho. O Ira! também quebrou o jejum de 13 anos, com um disco autointitulado IRA, 12º trabalho autoral da banda, é composto por 10 faixas que reforçam a identidade e maturidade da banda. Outro nome importante, entre os clássicos que apresentaram trabalhos em 2020, é o de Bob Dylan, que trouxe Rough and rowdy ways, para representar o folk rock. Com o disco de 10 músicas, Dylan, aos 79 anos, chega à marca de 39 trabalhos de estúdio na carreira.

No início do segundo semestre, a banda de rock progressivo Kansas, dona da canção Dust in the wind, apresentou o disco The absence of presence, que traz riqueza nas letras e musicalidade sofisticada nas nove faixas apresentadas. Com a composição atual, o grupo se reinventou, e o 16º disco, em geral, foi bastante elogiado pela crítica. Em agosto, foi a vez da banda inglesa Deep Purple lançar Whoosh!, 5º álbum da atual formação, e 21º da história do grupo. Ele é composto por 13 canções, que trazem a temática da natureza transitória da humanidade. O rock alternativo do The Killers também se traduziu em trabalho novo: Imploding the mirage. Ao todo, são 10 canções que chegam aos fãs em um momento conturbado do grupo. Com a apresentação do disco, em agosto, os músicos procuraram assegurar ao público, que a qualidade do trabalho sobreviverá às crises.

Carreira

Em setembro, com uma proposta experimental, introspectiva e cada vez mais sombria, (curiosamente flertando com o folk) Marilyn Manson lançou o disco We are chaos. O 16º álbum da carreira é composto por 10 músicas, e foi produzido por Manson junto ao cantor country Shooter Jennings. Fechando o mês, uma apresentação realizada em 1989, em Atlantic City, Nova Jersey foi transformada no novo disco ao vivo de The Rolling Stones, Steel wheels live.

Adentrando outubro, o novo álbum do Bon Jovi se aprofundou em temáticas mais políticas e sociais. Bastante factual, 2020 chegou ao público com 10 músicas que fazem crítica ao modelo de política estadunidense. Apesar do nome, o álbum não foi produzido, ou intitulado, durante o período da pandemia. Já a banda irlandesa U2 não apresentou álbum inédito, mas lançou uma versão deluxe, com 51 canções — All that you can leave behind — em comemoração aos 20 anos do lançamento do disco.

Em novembro, a lendária banda AC/DC lançou Power up ou Pwr/up, disco que traz sonoridade energética, similar, em estilo, aos hits de um legado de 47 anos. Esse é o 17º álbum da carreira e conta com 12 músicas. O mês de novembro também foi marcado pela presença do rock no cenário pop e no mainstream, por meio do álbum Plastic heart, da cantora Miley Cyrus.

*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

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