Denúncia

Ex de Hot, da dupla Hot e Oreia, denuncia relacionamento abusivo

Vic Carvalho utilizou rede social para relatar diversas dificuldades no namoro com o músico, envolvendo agressão, perseguição e violação de privacidade

Estado de Minas
postado em 02/01/2021 10:25 / atualizado em 02/01/2021 10:26
 (crédito: Instagram/Reprodução)
(crédito: Instagram/Reprodução)

A influenciadora digital Vic Carvalho utilizou o perfil no Instagram para relatar diversas dificuldades no namoro com o rapper Hot, da dupla Hot e Oreia, de Belo Horizonte. Os casos envolvem agressão, perseguição e violação de privacidade e foram denunciados na sexta-feira (1º/1).

De acordo com Vic, Hot a afastou de todos os amigos. Os relatos aponta que, apesar de pregar respeito às mulheres nos palcos, o cantor espionava o telefone celular dela encontrando conversas antigas e tendo “acessos de raiva, batendo todas as portas”. A influenciadora também contou que o rapper não chegou a cortar relações com a ex-namorada, que, mesmo rotulando ela de “doente obcecada”, fez uma música para a mulher.

“A incoerência de chamar a ex que ele traiu de doente obcecada e nunca cortar relações com ela, inclusive, nutrir o sentimento fazendo música explicitamente direcionadas a ela, enquanto ela estava tentando sair desse processo. A incoerência de terminar comigo porque eu tomei cerveja de uma reunião de trabalho, enquanto ele podia virar noites bebendo em outra cidade em nome do trabalho. A incoerência de reclamar de eu trabalhar para a marca x, de achar que o dono estava me mascando, e depois fazer parceria com a mesma marca”, desabafou.

Agressões

O relacionamento, de acordo com Vic, chegou ao extremo quando o rapper a agrediu. Segundo a ex-namorada do músico, ele chegou a quebrar uma porta e jogar a mulher no chão quando ela tentou filmar a situação. De acordo com os relatos, Vic teve sua cabeça prensada na parede no momento em que o músico tentou reaver o celular dela.

“A incoerência de poder me prender em casa várias vezes, de uma vez quebrar a porta do quarto que eu me tranquei, falando que se eu quisesse terminar ia ser "do jeito trágico", de me jogar no chão quando eu resolvi filmar a situação e bater minha cabeça na parede tentando pegar meu celular. Quando eu finalmente consegui pegar a chave de casa para abrir a porta, ele veio para cima de novo e, por reflexo, eu arranhei o rosto dele com a chave. Ele começou a gritar que "ia me expor e acabar com minha vida”, relatou.

Gravidez

Vic Carvalho, no desabafo, também citou situações de perseguição, dizendo que Hot ficava na porta de sua casa, chegando até a entrar dentro da residência da influenciadora. Ela, inclusive, está esperando uma filha do rapper.

A gestação, de acordo com Vic, foi resultado de uma das voltas do ex-casal. “Mas hoje tenho um motivo maior para bancar minha vontade de sair disso: minha filha será criada para não engolir essas situações de homem nenhum, qualquer que seja a reputação e a casca de desconstruído que ele carregue”, citando a postura de Hot nos palcos e nas redes sociais.

Réveillon

O ponto final da relação entre Vic Carvalho e Hot foi quando o músico decidiu ir a uma festa de réveillon em meio à pandemia e com a então namorada, grávida. De acordo com a influenciadora, o Natal entre os dois correu bem, mas tudo acabou saindo do controle na véspera da virada de ano.

“Ele comprou no dia seguinte o ingresso (da festa). Falou que estava chato eu brigar e terminar. Estava repetitivo. Que para tudo tinha que pisar em ovos agora. Falou que "podia estar com os amigos, mas estava me aguentando", que gravidez não é doença e que eu só não queria ficar de boa, que eu procurava problema em tudo. E a discussão terminou comigo chorando e ele me perguntando várias vezes com os olhos vazios. "Então é isso que você quer, né? Terminar?".”

Outro lado

Horas depois do desabafo de Vic Carvalho nas redes sociais, Hot se manifestou no Instagram. O rapper evitou se justificar e pediu desculpas a quem se decepcionou, sobretudo aos amigos, familiares, além da própria influenciadora digital.

“Sim, eu não tive um relacionamento saudável. Sim, eu fui ciumento, abusivo em vários momentos. Sim, eu não sou desconstruído. Sim, eu não desconstruí muita coisa que canto e que, de alguma forma, dissemino”, disse.

Veja, na íntegra, o relato de Vic Carvalho

Vou falar o que pega e se eu ajudar uma única pessoa que seja, isso aqui já valeu a pena, e também porque quero poder falar foda-se. Numa das tantas vezes que fui chamada de "louca, doente, vai se tratar", busquei atendimento psicológico e comecei a enxergar tudo. Enxerguei que o cara que me afastou de todos os meus "amigos playboys", na verdade, teve tudo na mão a vida inteira. Ganhou carro da mamãe, trabalhava no teatro quando dava na telha e em um único fim de semana tirava 800 conto (nessa época eu trampava o mês inteiro para tirar isso e eu era a patricinha mimada), morava em mansão, etc. Mais para frente, esse cara já era rico e pegou auxílio emergencial para comprar um PlayStation 4. De privilégios eu também sou cheia. O que eu estou apontando é a incoerência. A incoerência do discurso com a vida real. É muito fácil seu grito de palco ser "respeite a mulher, não chama ela de doida", enquanto fuçava meu celular enquanto eu dormia, achava coisas do passado e tinha acessos de raiva batendo todas as portas. A incoerência de chamar a ex que ele traiu de doente obcecada e nunca cortar relações com ela, inclusive, nutrir o sentimento fazendo música explicitamente direcionadas a ela, enquanto ela estava tentando sair desse processo. A incoerência de terminar comigo porque eu tomei cerveja de uma reunião de trabalho, enquanto ele podia virar noites bebendo em outra cidade em nome do trabalho. A incoerência de reclamar de eu trabalhar para a marca x, de achar que o dono estava me mascando, e depois fazer parceria com a mesma marca.

De acabar comigo por eu ter me inscrito no BBB ("que vergonha, você só quer ser famosa"). Eu fui uma das seis selecionadas no estado de MG, e nesse dia ele teve um acesso de ciúme e começou a fuçar meu celular, achou um emoji errado e não falou comigo direito uma semana e pro resto da vida tinha passe livre para eu mostrar minhas conversas. A incoerência de poder me prender em casa várias vezes, de uma vez quebrar a porta do quarto que eu me tranquei, falando que se eu quisesse terminar ia ser "do jeito trágico", de me jogar no chão quando eu resolvi filmar a situação e bater minha cabeça na parede tentando pegar meu celular. Quando eu finalmente consegui pegar a chave de casa para abrir a porta, ele veio para cima de novo e, por reflexo, eu arranhei o rosto dele com a chave. Ele começou a gritar que "ia me expor e acabar com minha vida" (aliás, estou falando esse caso porque no dia seguinte, quando eu fui tentar conversar, ele mandou a foto do mini arranhão e reiterou que ia me expor).

E eu fiquei doente correndo atrás para resolver, morrendo de medo dos fãs daquele homem tão desconstruído. Morrendo de culpa de ter machucado e acabado com um amor tão puro. Um amor que todos os amigos tentavam alertar, até meu terapeuta. Eram "invejosos e só queriam o que a gente tinha". A culpa, aliás, foi o motivo principal de todas as vezes que eu voltei. Culpa e a sensação de que ninguém ia acreditar. Vi gente presenciando meus pedidos de ajuda e fechando os olhos diversas vezes. E, na moral, depois de um tempo eu não tinha ninguém para desabafar. Eu só tinha ele, e ele ia tentando agravar a culpa à medida que via que a manipulação não estava mais funcionando ( de "você nunca vai achar alguém que te ama" foi para "eu me mato se você quiser criar filho separado"). Eu tenho print disso tudo. E eu não sou burra, mano. Eu já sacava o quanto aquilo era abusivo, mais foi tão pouco a pouco, tão cruelmente construído, que quando vi estava fundo, mandando textão para tentar ser compreendida e dias depois (sempre dias depois, porque na hora ele ia curtir a vida), ele me perseguia, ficava na porta da minha casa pedindo desculpas, mandava a mãe me ligar falando que ama. Uma vez até apareceu dentro da minha casa, na minha cama, suplicando desculpas e falando que tinha mudado. A gravidez: não planejamos, obviamente. Foi uma em uma das voltas. Na hora eu falei que não era para gozar, mas "ele não aguentou". Depois no aplicativo apareceu que eu não estava fértile eu nem quis tomar porque eu era extremamente regular. Não tanto quanto eu pensava, né... mas o suficiente para descobrir com um teste de três dias de atraso só. Fizemos o teste juntos. Comecei a chorar muito. Ele mandou mensagem no grupo da família comemorando antes de eu contar para qualquer pessoa. Qualquer pessoa.

Essa semana foi uma das mais longas da minha vida. Eu tomei a decisão de pôr um fim nesse ciclo de uma vez por todas. A gente passou o Natal juntos e estava tudo lindo. Eu pedi para ele ir numa festa de réveillon pela minha gravidez, eu falei de dois casos próximos de partos prematuros por COVID-19 que me alertaram essa semana, que uma amiga nossa estava grávida de muito menos tempo e ia passar só família, que ele que estava falando para todo mundo o quão ansioso estava para ser pai, podia quebrar essa pela família que ele queria construir. Ele comprou no dia seguinte o ingresso. Falou que estava chato eu brigar e terminar. Estava repetitivo. Que para tudo tinha que pisar em ovos agora. Falou que "podia estar com os amigos, mas estava me aguentando", que gravidez não é doença e que eu só não queria ficar de boa, que eu procurava problema em tudo. E a discussão temrinou comigo chorando e ele me perguntando várias vezes com os olhos vazios. "Então é isso que você quer, né? Terminar°?" Gente, por uma festa, que até na hora eu acreditei que ele não ia ter coragem de ir. No sétimo mês de uma gravidez que eu não privei ele de nada, eu simplesmente não acredito que cheguei aqui. Sim, eu carrego o peso dessa decisão. Mas dessa vez sem sufoco, sem você falando para os outros que eu enlouqueci e terminei "porque não aguentava te ver feliz e que eu já tinha te agredido" (lembra do arranhão no rosto?). Depois de ter relativizado tudo quando foi com você. O ciúme doentio, até da dupla dele, mano. De aguentar esculacho nos cantos e cara de anjo quando chamava alguém. O tranquilão espiritualizado.

Me arrependo da energia gasta curando cada trauma, de botar uma pessoa o máximo para cima e não ter a mão estendida no momento que eu me encontro. Mais que não ter a mão, é como se eu tivesse levado uma rasteira. Tudo que eu tentei conversar diversas vezes ao vivo esses dias eu ouvi numa música ainda não lançada. Tudo que ele não tinha tempo pra conversar comigo, eu tive que ouvir em uma letra na frente de outra pessoa segurando o choro. Que ele provavelmente vai mudar depois que ler isso, mas tinha até "você ficou larga/vazia", "você fala que eu roubei sua sorte", você não roubou minha sorte. Você roubou meu tempo, minha coragem, minha espontaneidade. Tudo que eu vou sofrer muito para retomar , tudo que eu sei da minha parcela de responsabilidade, porque, de fato, eu me esvaziei para me tornar uma pessoa mais amável. Como é desgastante tentar ser amada... Eu não podia postar música de outros artistas homens!!! Anitta também já deu briga porque "ouviu falar que ela conquistou tudo dando para gente importante". O feministo. O que apoia o matriarcado porque é do candomblé.

Eu não pude trabalhar num carnaval direito porque ele também terminou comigo na única vez que ele não teve acesso a uma parte que eu tive. A verdade é que você não me suportava cheia, feliz, radiante. Talvez seja um pouco do que eu senti vendo você mais uma vez festejando enquanto eu sofria, dessa vez, na virada do ano mais importante da minha vida. Mas hoje tenho um motivo maior para bancar minha vontade de sair disso: minha filha será criada para não engolir essas situações de homem nenhum, qualquer que seja a reputação e a casca de desconstruído que ele carregue. Foda-se cancelamento, foda-se você acabar comigo em rede social. Com a minha saúde mental você não acaba mais e esse texto vale por todos os vídeos que tentei fazer antes e só consegui soluçar.

Se você está numa situação semelhante: saia o quanto antes. Hoje eu penso que se tivesse sido firme nos primeiros alertas, eu já teria passado pelo luto. Eu não teria sido tóxica de volta (gente, eu já dei role que eu não queria para provar que eu podia também, sabe? Me sentia tão tosca quando me dava conta da loucura que eu chegava para pedir atenção). Eu não teria paranoias pelas merdas que já encontrei e estaria montando o quartinho da minha primeira neném com um companheiro do jeito que sempre sonhei. Desejo que você consiga olhar para fora do próprio umbigo e ser o paizão que você diz que vai ser. E esquece todas as vezes que eu falei que a vida cobra vergonha de ver o tanto que eu me vitimava, esbravejava, e mesmo diante de todos esses casos, eu voltava. A vida, mais uma vez, tá me cobrando, como foi na casa que dividimos e eu cuidei. Agora eu sou que vou cobrar de você. Eu não tenho mais um pingo de medo. E aqui era o único jeito de você escutar.

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