Protesto

Por falta de negros em categoria, indicados recusam participar do Grammy

Em carta escrita pelos artistas Okee Dokee Brothers, Dog on Fleas e Alastair Moock e encaminhada à Recording Academy, três dos cinco indicados recusaram a premiação, exigindo diversidade

Victória Olímpio
postado em 05/01/2021 16:57 / atualizado em 05/01/2021 17:00
 (crédito: GABRIEL BOUYS/AFP)
(crédito: GABRIEL BOUYS/AFP)

O Grammy 2021 terá uma quantidade menor de artistas indicados ao prêmio de melhor álbum infantil. O motivo? Um protesto pela ausência de negros na categoria. Dos cinco artistas indicados, três recusaram as nomeações e pediram ainda que os fãs não votassem neles.

"Ontem, os Okee Dokee Brothers, Dog on Fleas e eu (Alastair Moock) escrevemos o anexo à Recording Academy, recusando respeitosamente nossas nomeações e pedindo que nossos nomes sejam removidos da votação final. Não recebemos resposta - independentemente disso, pedimos aos eleitores que não votem em nós", escreveu a banda Alastair Moock em publicação no Twitter.

Agora, a disputa pelo Grammy será apenas entre a cantora Joanie Leeds, com o álbum All the Ladies e o cantor Justin Roberts, com Wild Life. Leed aponta que não desistiu pela mensagem que o álbum passa: "Eu não recusei porque meu álbum é sobre empoderar mulheres jovens. Eu tenho 20 mulheres no meu álbum. Então, para nós, seria ir contra a nossa mensagem".

Segundo a carta, a indicação de apenas brancos para a categoria —e dos quais só um é mulher— não configura uma aberração no cenário da música infantil, já que, nos últimos dez anos, só 6% das indicações tinham liderança ou coliderança de pessoas negras e cerca de 30% eram lideradas por mulheres: “Esses números seriam decepcionantes em qualquer categoria, mas, num gênero cujos artistas têm a tarefa única de modelar justiça, bondade e inclusão, os números são inaceitáveis”.

Segundo a rádio americana NPR, a diretora de diversidade, equidade e inclusão da academia do Grammy, Valeisha Butterfield Jones, disse que a instituição tem trabalhado para aumentar a diversidade entre os membros da academia e nos comitês de indicação. “Somos uma instituição que está pronta para mudanças, mas os desafios que enfrentamos não são exclusividade nossa, ou da nossa indústria”.

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