Artes visuais

Conheça Otoniel Fernandes, o artista que pinta Brasília

O pintor Otoniel Fernandes humaniza cartões-postais da capital com leveza e muitas cores

Paula Barbirato*
postado em 07/01/2021 06:59
Os trabalhos de Otoniel Fernandes podem ser vistos em exposição on-line -  (crédito: Otoniel Fernandes/ Divulgação)
Os trabalhos de Otoniel Fernandes podem ser vistos em exposição on-line - (crédito: Otoniel Fernandes/ Divulgação)

Por meio do estilo impressionista de cores e luzes acentuadas, o pintor Otoniel Fernandes eterniza cenários naturais em telas com ateliês criados ao ar livre. Nascido em Fortaleza e morador de Brasília por mais de quatro décadas, ele homenageia os 60 anos da cidade com um quadro para cada ano de vida. "Minha paixão e inspiração para pintura sempre foram as paisagens e Brasília é isso", destaca. Com técnica de óleo sobre tela, as obras do artista seduzem pela poética humanizada.

"Sempre foi meu ponto de apoio, desde que eu cheguei (à cidade). Minha formação é toda brasiliense", declara o artista sobre a capital, a qual se mudou em 1972 com a família. Começou a pintar quando era adolescente, em 1979, com orientação do pintor Aluísio Santana. Três anos depois inaugurou a primeira exposição individual da vida na sede da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e, em 1983, entrou na Universidade de Brasília (UnB) para cursar licenciatura em artes plásticas.

Na década de 1990, Otoniel decidiu escolher temas específicos para trabalhar ao ar livre. "O meu primeiro foi uma exposição inspirada no livro Os sertões, de Euclides da Cunha. Tenho uma admiração muito grande pela paisagem da caatinga e criei ilustrações", diz. Uma exposição foi feita no Palácio do Buriti, em 1997, centenário da Guerra dos Canudos, narrada no livro.

Outra coleção é a do Rio São Francisco, de 1999, composta por 70 pinturas feitas ao ar livre por Otoniel em visitas às áreas naturais do principal rio do Nordeste. Para complementar o trabalho, um livro descritivo foi lançado sobre a produção e o processo por trás da criação. Além disso, a coletânea rendeu uma exposição que viajou por diversas cidades ribeirinhas, ultrapassou fronteiras e encerrou fora do país, em Miami, nos Estados Unidos.

Nos anos 2000, os rios Parnaíba, no Piauí, o Araguaia, o Tocantins e a Chapada Diamantina foram destinos de Otoniel. No total, 15 livros artísticos foram lançados com as coleções. Para o futuro, o pintor pensa em fazer um que mostre as 60 telas sobre capital do Brasil, inclusive, com fotos dos bastidores da produção. "Quero mostrar que Brasília é um ateliê ao ar livre e está pronta para todas as artes", pontua.

Sentimentos

"Cogitei várias vezes pintar a cidade, mas sempre deixava para depois. Nas proximidades do aniversário de 60 anos, pensei: está na hora de pintar Brasília", explica Otoniel. Ele não mora mais na capital há seis anos, quando se mudou para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Mas ressaltou que esse leve distanciamento foi crucial para a produção, visto que retornava a locais carregados por sentimentos.

Os lugares representados nas obras foram escolhidos com precisão por Otoniel, que focou nos mínimos detalhes para ressaltar a mistura das paisagens naturais com as construções arquitetônicas da capital. “Eu me concentrei em Brasília natural, que é um patrimônio cultural da humanidade, tão florida e inspiradora, mas também nas partes tradicionais como, por exemplo, a Catedral e o Congresso. Se fosse para pensar em uma coleção mais completa, seriam centenas e centenas de pinturas", diz.

Naturalmente, Brasília gerou inúmeras possibilidades para Otoniel. "A cidade tem luz, cor e espaço, que permitem que a gente explore os efeitos da tridimensionalidade", analisa o pintor. Com o estilo impressionista o qual se identifica, as cores da vegetação e o clima, por exemplo, favorecem na acentuação dos elementos da pintura.

A produção dos quadros iniciava em torno das 8h, para aproveitar a luz, e também por questões estratégicas, atreladas às técnicas de pintura. O tempo de trabalho era relativo. “Cada pintura levava uma sessão no campo e duas no ateliê. Seriam, em torno, três dias de trabalho. Mas, com a pandemia, algumas se estenderam por meses.”

Confira on-line

Devido à crise do novo coronavírus e a impossibilidade de encontros presenciais, Otoniel Fernandes realiza a primeira exposição virtual no site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Ela foi aberta em 11 de dezembro de 2020 e deve permanecer disponível durante janeiro. Além das obras, duas sessões são destinadas para os bastidores do ateliê ao ar livre e outra com biografia do pintor. O acesso pode ser feito por meio do link https://www.exposicoesvirtuais-tjdft.online/

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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