Performance

Artista performático comemora 20 anos de carreira com projeções pelo Distrito Federal

O projeto de multilinguagem 'Origens', do ator e dançarino Robson Castro, cofundador do Teatro do Concreto, marca o início de uma nova fase, com um projeto que conversa com RAs do Distrito Federal e seus transeuntes

Lisa Veit*
postado em 12/01/2021 17:40 / atualizado em 12/01/2021 17:58
 (crédito: StudioSartory/ Divulgação)
(crédito: StudioSartory/ Divulgação)

O artista performático Robson Castro celebra os 20 anos de carreira no teatro e na dança com um projeto solo inédito e de multilinguagem. O intitulado Origens terá quatro etapas de desenvolvimento. A primeira delas ocorre até 15 de janeiro, trazendo projeções de vídeo para espaços públicos de diferentes Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal. Ao todo, serão exibidas sete performances realizadas pelo artista. O projeto se completa com a produção de um livro de arte, cartões postais fotográficos e um website, que aguardam data para o lançamento.

As performances audiovisuais de Origens, e o que chamou de Dramaturgia de trânsito, têm formato curto, em tempo, e foram feitas para serem apreciadas a partir dos carros, ônibus, e no deslocamento a pé. Elas ocupam os espaços públicos da cidade e conversam brevemente com os transeuntes, como uma solução criativa durante a pandemia para evitar aglomerações. Com mais cinco projeções, uma em cada RA, a programação ocorre até sexta-feira (15). Cruzeiro e Sudoeste/Octogonal recebem o projeto nesta terça (12), às 19h e 20h30, respectivamente; seguidos de Planaltina (13), às 19h; Jardim Botânico (14), às 19h; e por fim Plano Piloto (15), também às 19h.

Entendendo o projeto Origens

A decisão pelos espaços ocorreu ora pela experiência do artista, ora pelas parcerias. “Muitas pessoas falam que, com tal projeto, vão levar cultura para um lugar, mas é uma ideia supérflua. Há cultura em todos os lugares, o importante é transportar de um canto para outro. É haver fluxos entre as cidades e os polos de arte”, aponta. Ele conta que tem desenvolvido parcerias com, por exemplo, João Angelini, artista visual de Planaltina, da galeria Pé Vermelho. Outro importante parceiro do projeto é Kelvin Jonatha, artista visual da Ceilândia, que fará sete obras de arte inspiradas nas diferentes projeções, o que reforça o caráter multilinguístico do trabalho.

O título Origens surge a partir da profunda pesquisa de cinco anos que dá corpo ao projeto. Entre os símbolos, evoca a origem do país e do povo, envolvendo reflexão sobre temas e identificação com os índios e os negros. Há também fortes analogias entre os trabalhadores candangos e a trajetória pessoal do artista, que precisou deixar a família e a cidade natal, em Minas Gerais, para um recomeço em Brasília. Além disso, a proposta representa a nova fase da carreira que estreia com o projeto solo.

Feliz e emocionado pela experiência de estreia, que ocorreu nesta segunda-feira (11/1) com projeções em Ceilândia e em Taguatinga, o líder da Cia. Inexistente conta que esta é uma grande realização pessoal e profissional. “Sempre estive em grupos, tanto no Teatro do Concreto, quanto na Cia de dança Anti Status Quo, sob uma direção e como performer. Agora estou vivendo este lugar como artista e como produtor do meu próprio projeto. É uma responsabilidade, e uma satisfação muito grande também”, divide Robson, citando as duas grandes escolas artísticas e importantes expoentes da cultura no Distrito Federal, uma delas, o Teatro do Concreto, que ajudou a fundar em 2003.

A realização do projeto tem fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).


Desdobramentos do projeto Origens

As outras etapas do projeto estão em planejamento e desenvolvimento, e deverão ser lançadas oficialmente após a vacinação contra covid-19. Cada linguagem e plataforma artística escolhida é pensada para diversificar o alcance da obra. “Usamos o tema como um disparador mesmo. Sobre as origens, você pensa o quê? Fomos navegando pelo tema e percebendo o que impacta para fazer parte da performance. Que linguagens podem ser exploradas? Vou fazer um livro, pois ele é perene e chega às pessoas que não vão ver a performance. Farei um site, pois nesse espaço as pessoas terão acesso ao trabalho de uma outra forma, assim como os postais com fotografias performáticas”, explica.

Dito isso, Robson destaca que há grande preocupação na acessibilidade ao projeto para que a arte chegue a todos. O website terá versões em áudio para pessoas com deficiência visual. Também serão disponibilizados um audiobook e audiodescrição dos vídeos apresentados nas cidades, com narração da atriz e pesquisadora Sheila Campos. Além disso, o bate papo com artista sobre os processos criativos terá intérprete da Língua Brasileira de Sinais. O evento ocorre na próxima segunda-feira (18/1), às 16h, pelo Instagram e Facebook.

Confira a programação

Terça-feira (12/1)

Às 19h, no Cruzeiro. Às 20h30, no Sudoeste/Octogonal

Quarta-feira (13/1)

Às 19h, em Planaltina.

Quinta-feira (14/1)

Às 19h, no Jardim Botânico.

Sexta-feira (15/1)

Às 19h, no Plano Piloto.

Segunda - Feira (18/1)

Bate papo com Robson Castro, com interpretação em Libras. Às 16h, pelo Instagram e Facebook.

*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel

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