CINEMA

Brasiliense Emanuel Lavor vai desenvolver roteiro do futuro longa em escola cubana

O cineasta Emanuel Lavor se dedicará a aprimorar o filme A onça na prestigiada Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños (Cuba)

Ricardo Daehn
postado em 16/01/2021 06:00
 (crédito: Marcos Lopes/Divulgação)
(crédito: Marcos Lopes/Divulgação)

Em um processo seletivo de mestrado, feito ao redor do mundo pela prestigiada Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, entre sete futuros alunos, quatro serão brasileiros, e um deles é de Brasília: o ator e diretor Emanuel Lavor. Aos 25 anos, com um curta finalizado (O pequeno chupa-dedo), ele tomou parte de festivais na Suíça, Holanda e nos Estados Unidos. Em mostra de Taquari (Pernambuco), Lavor obteve prêmios de melhor filme (segundo o público) e, no segmento reservado a fitas com teor fantástico, faturou prêmio de melhor roteiro e viu Camila Guerra premiada como melhor atriz.

Com partida da capital em 8 de abril, Emanuel Lavor passará seis meses em Cuba aprimorando o roteiro escrito do longa A onça. “O filme tem um recorte agroecológico, poderia transcorrer em qualquer bioma, mas optei pelos arredores do Distrito Federal. Trata da relação de uma mãe e do filho que habitam um bioma vital, que tem sido destruído, mas passa despercebido, quando se compara à ênfase dada à problemática na Floresta Amazônica, Pantanal e na Mata Atlântica”, comenta Lavor.

Entre os ajustes estabelecidos para o futuro longa A onça, que, em Cuba, ganhará sinopse, construção de personagem e formatação profissional de roteiro, Lavor optou pela ênfase no universo pandêmico. “Os personagens transitam entre circunstâncias socieconômicas e sanitárias insalubres. Ficam isolados, no cerrado vivo, no meio do mato. Teremos como pano de fundo, os incêndios criminosos”, adianta.

Mazelas

A convivência de Lavor com comunidades ligadas à agricultura sustentável, junto a mulheres produtoras do DF, que estão à frente de “independência e alimentação saudável”, transformou a visão dele como artista. “No rol social, opto por enfatizar as mazelas e transformá-las em cinema de gênero, no caso, num filme de horror”, comenta o cineasta.

O perfil de iniciante de Emanuel Lavor, formado em artes cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), foi aplainado em um curso livre, na universidade, em 2020, e com apoio do projeto Conexão Cultural (em edital do Fundo de Apoio à Cultura). Em 2021, este projeto terá na nova turma de colegas, a roteirista Thays Berbe (do programa Sintonia, da Netflix). Já dirigido nos palcos por personalidades como Fernando Guimarães e Hugo Rodas, Emanuel Lavor levará o roteiro para Cuba, depois de vencedor do Festival 1/4 de Cena (Sesc Garagem) e de ter adaptado o espetáculo universitário O pequeno chupa-dedo (uma criação autoral) para a telona no curta-metragem. O cineasta, agora, procura ajuda para financiar as diárias na capital cubana.

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