FILMES E SÉRIES

Pandemia força streaming a se reinventar para evitar desgaste

A covid-19 impediu o início de novas produções audiovisuais e interrompeu as que já estavam em andamento. Logo, desde 2020, menos filmes e séries têm estreado

Pedro Ibarra*
Isabela Berrogain*
postado em 20/03/2021 06:00
 (crédito: Hopper Stone/Netflix)
(crédito: Hopper Stone/Netflix)

Apesar de a crise sanitária ter dado palco para o crescimento dos streamings, a pandemia também desencadeou um novo problema para as plataformas: o desgaste por falta de conteúdos. A covid-19 impediu o início de novas produções audiovisuais e interrompeu as que já estavam em andamento. Logo, desde 2020, menos filmes e séries têm estreado, tanto nas telonas quanto no streaming.

Entretanto, segundo o especialista Paulo Duro, coordenador do curso de cinema e mídias digitais do Centro Universitário Iesb, o maior desgaste do streaming não é a atual escassez de produções. “O grande problema é a repetição do conteúdo. Eu acho que uma dificuldade que a gente está tendo é a de modificar os conteúdos, eles estão entrando em fórmulas repetidas”, afirma o coordenador. Entre as produções, Paulo Duro destaca as relacionadas ao tema de futuro apocalíptico. Só no ano passado, diversas séries com essa temática, como Dark, The 100, The rain e Expresso do amanhã, tiveram novos episódios produzidos e disponibilizados na Netflix.

Estreias simultâneas

Uma das soluções encontradas pelos estúdios e produtoras para as estreias que ocorreram ao longo do último ano foram os lançamentos simultâneos. Nesse novo formato, os filmes são lançados nas salas de cinema e nas plataformas de streaming ao mesmo tempo, como foi o caso de Mulher-Maravilha 1984.

Apesar de serem uma alternativa, os lançamentos simultâneos não são vantajosos para as grandes produções. “O streaming não dá tanto dinheiro quanto o cinema. No cinema, o faturamento é muito maior, então tem esse problema econômico”, comenta Paulo Duro.

Mesmo com o recente início dos lançamentos híbridos, o lado financeiro das estreias tem pesado para alguns estúdios. Em dezembro do ano passado, a Warner Bros. anunciou que todos os filmes da produtora, com previsão de estreia para 2021, seriam lançados simultaneamente nos cinemas e na HBO Max. Entretanto, pouco após o anúncio, a Warner voltou atrás em relação ao novo formato. Agora, a produtora considera preservar o lançamento do filme Duna, longa-metragem baseado no romance de ficção científica da década de 1960, exclusivamente para as salas de cinema. A intenção é que a decisão preserve o potencial financeiro que a franquia do filme oferece, podendo liderar possíveis sequências.

Marvel de volta

Um dos gêneros mais importantes da última década, o cinema de heróis foi um dos mais afetados pela pandemia. Muito dependente das bilheterias, que chegavam rotineiramente à casa de US$ 1 bilhão, os filmes da Marvel, DC e de outros estúdios esperam ainda um controle da situação de saúde e sanitária mundial para estrearem. Com isso, o streaming vem sendo fundamental para suprir a falta dos lançamentos de super-heróis.

A principal plataforma no quesito produções heroicas é a Disney Plus. Com a Marvel a todo vapor no desenvolvimento de títulos, o serviço já disponibilizou a primeira série do gênero, WandaVision, que foi um sucesso e alavancou o número de assinantes do streaming para acima de 100 milhões.

A Disney, agora, trabalha na divulgação de Falcão e o Soldado Invernal, seriado em que finalmente Sam Wilson, o Falcão interpretado por Anthony Mackie, e Bucky Barnes, o Soldado Invernal de Sebastian Stan, vão assumir o protagonismo no Universo Cinematográfico Marvel. A história terá o primeiro episódio lançado na sexta-feira, 19 de março. O enredo vai tratar tanto sobre o conflito com o vilão Barão Zemo, vivido por Daniel Brühl, quanto sobre a sucessão do posto de Capitão América após Sam Wilson receber a responsabilidade de Steve Rogers no final de Vingadores: ultimato.

Além da nova história, que vai apresentar a aventura da dupla de heróis, a Disney Plus ainda vai fazer a produção sobre um icônico vilão dos cinemas. Loki, personagem de Tom Hiddleston, terá o seriado disponível na plataforma a partir de 11 de junho. A série seguirá o Deus da Mentira em uma aventura pelo tempo e universos alternativos, na intenção de transformá-lo em um anti-herói da Marvel.

No entanto, não só a Disney está apostando nos heróis. A HBO Max estreou o novo corte de Liga da Justiça. Chamado popularmente de Snyder cut, o filme é uma nova montagem feita pelo diretor Zack Snyder. O cineasta teve que largar o longa após a perda de um filho, e a história foi terminada por Joss Whedon. A estreia, em 2017, foi um fracasso de crítica, o que levou Snyder e parte dos fãs da DC a iniciarem uma campanha para que o corte do diretor fosse liberado.

A Netflix também vai investir no gênero, mas sem se apegar a heróis das HQs. O streaming estreia, em 9 de abril, Esquadrão Trovão. Longa em que duas amigas de infância, interpretadas por Melissa McCarthy e Octavia Spencer, ganham superpoderes e decidem se juntar para lutar contra o crime. Outra da casa que tratará de super-heróis é O legado de Júpiter, série sobre uma intriga política de super-heróis pelo governo de um planeta estrelada por Josh Duhamel e com estreia marcada para 7 de maio.

A Amazon Prime Video investe em super-heróis com a sátira baseada em quadrinhos The Boys, que estreará a terceira temporada em 2021. Contudo, eles também estão adaptando muitos dos personagens heroicos, mas não superpoderosos do escritor Tom Clancy. Após fazer um seriado de Jack Ryan, agora a Amazon vai estrear outro ícone do autor, trata-se de John Clark, o ex-fuzileiro naval que vai atrás de vingança pela morte da família. O filme vai estrear em 30 de abril e será protagonizado por Michael B. Jordan.

Outros lançamentos

5X comédia
Tomando o isolamento como ponto de partida, a série aborda questões como sexo, trabalho e relacionamentos de diferentes perspectivas. Protagonizado por grandes nomes da comédia nacional, como Gregório Duvivier e Rafael Portugal, 5X comédia tem lançamento previsto para 26 de março, se tornando a primeira ficção nacional original do Amazon Prime Video.

Virando o jogo dos campeões
Série baseada na franquia de filmes Nós somos campeões. O seriado mostra a volta dos Mighty Ducks, time de hockey apresentado nos anos 1990 pela Disney. No entanto, agora eles estarão do outro lado da pista de gelo, pois o ex-técnico dos Ducks, Gordon Bombay, vivido por Emílio Esteves, vai ajudar o garoto Evan a vencer a equipe que o recusou. A produção estreia em 26 de março na Disney Plus.

Meu amor — Seis histórias de amor verdadeiro
Produção original Netflix é uma série documental sobre o amor duradouro. Criada pelo diretor Jin Moyoung, a obra segue o cotidiano de casais com mais de 40 anos juntos. As seis histórias são de países diferentes: Brasil, Coreia do Sul, Índia, Espanha, Estados Unidos e Japão. O casal do Brasil abre o seriado, contando a história de Jurema e Nicinha, que passaram 43 anos juntas ,criaram filhas, tudo isso na favela da Rocinha no Rio de Janeiro.

*Estagiários sob a supervisão de José Carlos Vieira

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