ARTES PLÁSTICAS

Fargo - Feira de Arte Goiás chega à terceira edição em formato digital

Uma dos principais eventos do gênero, Fargo segue até 18 de abril, reunindo diferentes linguagens e gerações de artistas

Roberta Pinheiro
postado em 28/03/2021 06:01
Trabalho de Sandro Tôrres pela Arte Plena Casa Galeria/GO -  (crédito: Sandro Tôrres/Divulgação)
Trabalho de Sandro Tôrres pela Arte Plena Casa Galeria/GO - (crédito: Sandro Tôrres/Divulgação)

Realizada pela primeira vez em 2017, a Fargo — Feira de Arte Goiás apresenta a terceira edição até 18 de abril. Adaptada ao formato digital, uma das principais feiras de arte da região Centro-Oeste reúne mais de 750 obras, diferentes linguagens e gerações de artistas e 28 estandes virtuais, entre galerias, escritórios e coletivos de arte de Goiás, São Paulo e Brasília. Da capital federal as participantes são A casa da luz vermelha, Casa Albuquerque Galeria de Arte, Fernanda Pacca, Galeria Index, Oto Reifschneider Galeria de Arte e Referência Galeria de Arte.

“Foi desafiador. Resistimos ao máximo, até o último momento em fazer uma edição virtual. Estávamos planejando uma edição maior, no espaço Oscar Niemeyer, e, obra de arte, as pessoas querem ver de perto, tem também todo o contato com o artista, mas era um movimento que não voltava e não tinha previsão de voltar”, comenta o empresário e produtor Sandro Tôrres, coordenador da feira.

Diante do cenário, ao lado da produtora Wanessa Cruz, os dois abraçaram a possibilidade do virtual e passaram a explorar as vantagens do formato, apostando inclusive em um período maior de feira. “Se, por um lado, tinha essa limitação física do presencial, agora, é ilimitada a possibilidade de alcance. Isso poderia nos surpreender muito”, acrescenta Tôrres. O coordenador reconhece que o seguimento não atrai os olhares de um grande público. Mesmo assim, a Fargo contou com aproximadamente 10 mil visitantes na última edição. “Por estar na internet, esse público pode ser ampliado, e contamos com isso”, afirma.

A internet também possibilitou que a feira, por mais que já contasse com participação de galerias nacionais, ganhasse um caráter ainda mais amplo. São empresas locais e de outros estados, principalmente do Distrito Federal, que lançam os holofotes para o mercado do Centro-Oeste, com a representação de nomes regionais, mas também de todo o país. “Expor esses artistas visuais na Fargo Digital é parte do compromisso da Referência em contribuir para a visibilidade da produção artística contemporânea do Centro-Oeste”, afirma a galerista Onice Moraes. Para o evento, o espaço brasiliense destacou trabalhos de artistas que têm uma ligação com Brasília ou Goiânia, onde ou construíram as carreiras ou moram e produzem. Entre eles, estão Clarice Gonçalves, David Almeida, João Angelini, Luiz Mauro e Raquel Nava.

“Percebo que existe um interesse desses mercados maiores e estabelecidos, inclusive tentando fazer o movimento de ir para outras regiões do Brasil e o Centro-Oeste é uma delas. É um mercado pujante, diverso e com muito potencial econômico. A feira reúne essa diversidade de linguagens, por exemplo, indo desde trabalhos naif até outros resultados de performance. São artistas modernistas, contemporâneos, figurativos e abstratos, do mercado primário e secundário”, detalha o coordenador do evento.

Ciente do potencial da região, os organizadores também têm como objetivo profissionalizar o mercado e desmistificar o universo das artes visuais. “Falar sobre negócio em arte, porque existe esse dilema, para a academia, isso não é muito falado, e a academia é uma referência grande para as gerações de artistas, mas os artistas também precisam se inserir no mercado. As feiras têm esse papel de absorver novos talentos e incentivar quem está produzindo. Existe uma diferença entre circuito e mercado de arte”, afirma Tôrres.

A Fargo ampliou e diversificou os conteúdos para essa edição. A feira será hospedada em um site próprio, contendo, além das imagens das obras, textos críticos, ensaios temáticos e vídeos (lives, entrevistas, depoimentos, obras de videoarte), ação educativa e recursos de interatividade. Todo esse conteúdo está associado às redes sociais, de modo que as atualizações possam ser acompanhadas pelo público. “Percebemos que não estávamos trabalhando só com o público, mas toda uma cadeia produtiva, por isso, esse caráter de formação, de profissionalização, da feira ser um espaço de encontro e networking, de transformar e informar. É um trabalho de formiguinha, mas queremos dar continuidade”.


Serviço
3ª Fargo – Feira de Arte Goiás. Até 18 de abril. No site arteplena.art.br.

 

 

 

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