Há quase um ano, o professor e jornalista Clóvis de Barros Filho criou o Despertar inspirado — projeto em que, diariamente, às 6h, compartilhava os primeiros pensamentos que viam na mente dele no canal da Revista Inspire-C. Ao todo, foram 40 episódios. Até que, neste ano, a iniciativa se estendeu ganhando as páginas dos livros, em uma obra escrita em parceria com a Monja Coen Roshi, lançada pela editora Citadel.
A ideia surgiu de manter um canal de comunicação com o público levando uma mensagem positiva. “Peguei a ideia do despertar, que é cheia de significados e metáforas e de coisas positivas. E como sempre dizem que eu trago inspirações para as pessoas, juntei as duas ideias. Todo dia, às 6h, eu compartilhava o que passava na minha cabeça ao amanhecer. A monja começou a me mandar comentários sobre aquilo que tinha dito e a editora teve a ideia de fazer um livro dando conta desse nosso diálogo, num Despertar inspirado mais verbal com o conteúdo da monja ali no calor do impacto da mensagem”, explica Clóvis. Dos 40 conteúdos, foram escolhidos 15 para serem publicados no livro.
Três perguntas // Clóvis de Barros Filho
Como foi o processo de escolher os temas que iria tratar a cada Despertar inspirado?
A ideia era que fosse muito espontâneo, tanto que os temas não têm uma coerência interna. O critério mesmo era a espontaneidade. A primeira coisa que me vinha à cabeça, procurava me articular naquele tema. Acordava 10 para 6h, punha a roupa e já ia gravar. Sempre com a ideia da sexta badalada do mosteiro, de criar uma rotina. No final das contas, a pandemia foi marcada muito por ter mudado a rotina das pessoas. Era uma ideia de que era possível criar uma nova, com novas preocupações, um novo jeito de organizar o tempo e o dia a dia. Fiz questão de fazer sempre no mesmo horário, respeitando rigorosamente a simbologia do despertar, falando do nascer do sol e dando conta da possibilidade de começar o dia de maneira inspirada através da reflexão de uma atividade da alma.
Como o senhor acha que a pandemia impactou na vida das pessoas?
Acredito que a pandemia representou uma ruptura com o cotidiano e de uma certa maneira ainda não acabou. Suas consequências mais trágicas ainda estão sendo vividas. Ela é, sem dúvidas, uma ruptura com o cotidiano, que é sempre marcado por uma certa mediocridade, de fazer tudo de maneira dividida, fragmentada. A possibilidade da quarentena responde ao cotidiano como um tempo de reflexão mais maduro, um pouco mais profundo e, claro, espero com alguns benefícios para a própria vida no sentido de uma avaliação segura de como estamos administrando o tempo da vida. Quais são os seus reais valores, o que realmente importa para que tenha valor, para que valha as suas dores e dificuldades? A oportunidade foi dada para uma reflexão profunda ante a presença gritante da finitude com os números expressivos de óbitos diários.
Esse foi um período de muito trabalho para o senhor, né?
Talvez eu nunca tenha trabalhado tanto. Só com a editora Citadel são quatro livros. Escrevi um sobre Sócrates com a Ciranda Cultural. Estou escrevendo um sobre liberdade. Há uma produção frenética. Porque a oportunidade é dada justamente para esse tipo de reflexão. O próximo livro tem como título Moral da história. Está pronto, com o projeto editorial feito. São 10 histórias da minha vida apresentadas como crônicas. Cada capítulo tem três partes: a minha história, a moral da história e a história do outro, com situações análogas na literatura brasileira. O outro livro que está pronto é Cooperar, destinado a uma reflexão filosófica do significado de cooperação como uma estratégia conjunta de somatórios para alcançar um fim comum. O último livro é uma transcrição do meu podcast Inédita pamonha, que traz toda quinta-feira uma reflexão sobre a vida.
