Música

Em novo álbum concebido durante a pandemia, Daniel fala de cura e transformação

Em novo trabalho, o cantor e compositor propõe ao público um compilado de sete canções que refletem o que ele deseja para o público

Roberta Pinheiro
postado em 04/04/2021 06:27 / atualizado em 04/04/2021 15:06
O projeto traduz o momento de distanciamento -  (crédito:  João Miguel/Divulgação - Opus/Divulgação)
O projeto traduz o momento de distanciamento - (crédito: João Miguel/Divulgação - Opus/Divulgação)

Um convite ao aconchego da musicalidade romântica de Daniel. Essa é a proposta do novo trabalho do artista, Daniel em casa, que chegou às plataformas digitais no final de março. Um compilado de sete canções lançadas recentemente pelo cantor, além de uma versão inédita em parceria com o também cantor e compositor Jon Secada.

Em entrevista, o cantor detalha que o projeto nasceu naturalmente a partir de seus últimos lançamentos, a começar por Casava de novo, “que veio em um momento em que queria lançar uma música nova, somente uma música, não pensava em um projeto com outras faixas incluídas”. Em seguida, veio Além da vida e, aos poucos, as outras canções foram nascendo. “As coisas foram acontecendo. Quando tinha um tempo, eu gravava e lançava uma novidade no digital. Só que agora, devido a esse tempo que estamos vivendo, essa pausa grande dos palcos, o distanciamento do meu público, resolvi compilar tudo nesse álbum digital Daniel em Casa”, explica.

O repertório do novo álbum, composto ainda por Amei uma vez só, Você não vai me encontrar, Tudo na vida passa, Eu não te amo, Te trago à tona e Angel revela um pouco do que Daniel tem feito neste período de pandemia e também o que deseja para o público. “São todas canções que tocaram meu coração de alguma forma e espero que elas façam o mesmo com o público, que acompanha meu trabalho e minha história”, afirma.

O nome do projeto traduz o sentimento que há mais de 30 anos guia a trajetória de Daniel, mas, também, dialoga com o momento de isolamento e distanciamento social provocados pela pandemia. “O nome desse álbum é uma referência ao tempo que estamos vivendo, mas, também, diz muito de como me sinto quando estou nos palcos, em estúdio preparando novidades ou gravando para meus fãs. Esse sentimento é semelhante de quando estou em casa, no aconchego com minha família. Acredito que, por isso, esse sentimento é o melhor possível”, descreve.

É com a voz suave e o estilo romântico que Daniel quer oferecer alegria, amor e uma mensagem de otimismo e boas vibrações ao público. “Se eu conseguir ser um condutor de conforto, paz e sorrisos para ao menos uma pessoa, isso já me faz extremamente feliz. Costumo dizer que a música tem um poder extraordinário, entre muitos, que é o de curar, de promover boas transformações. Se mais pessoas sentem isso, acredito que estou indo no caminho certo, na direção correta”, avalia.

No trabalho, o cantor também realizou um grande desejo profissional, que era gravar com Jon Secada. “Foi tudo bem rápido, mas foi intenso, porque, de cara, criamos um laço muito forte, uma identificação. Ele é incrível, além de ser um artista fenomenal. Realizei um sonho e fiquei muito feliz com o resultado”, descreve. O encontro entre os dois ocorreu em fevereiro de 2019, em Miami, após Daniel contar ao empresário Matheus Possebon sobre a vontade de gravar com alguns cantores e artistas que admira. Em Angel, o brasileiro interpreta versão em português, enquanto Jon canta em inglês.

Entrevista: Daniel

O que você mais sente falta da rotina antes da pandemia?
Estamos passando por um momento muito difícil, mas acredito que também serve de grande aprendizado. Sinto muita falta do contato direto e próximo com meus fãs, os abraços, as conversas mais próximas, o calor do público. Eles são muito carinhosos e amorosos comigo e isso sempre foi muito presente ao longo da minha trajetória. O carinho mais próximo com meus pais e irmãos também faz muita falta. Tenho pais idosos e um irmão especial, então os cuidados são redobrados em função disso. Espero que esse momento delicado e muito triste passe logo e que seja possível reencontrá-los em breve, bem de pertinho.

Como tem sido passar por tempos tão difíceis e o que tem te ajudado?
Desde o início estamos muito assustados, porque é algo totalmente desconhecido, invisível aos olhos e que não depende só de nós. Que nós precisamos dar esse tempo, que precisamos entender tudo isso, e aproveitar esse tempo para construir algo para nós mesmos, principalmente para a mente, sabe? Para aprimorar, renovar, colocar a mão na consciência, o que fizemos até aqui de bom, o que pode acrescentar daqui pra frente, o que podemos mudar. O que mais me assusta são as perdas. A partida de muitas pessoas que conhecemos, que estão próximas e a forma que é. Não sabemos o final dessa história, como será a resolução de tudo isso, como poderemos nos moldar a tudo isso que está acontecendo. Vai entrar pra história, já entrou, principalmente para nossos filhos, jovens agora, no futuro isso será parte da história deles. Que tenhamos esperança e fé em dias melhores, não deixar jamais de trabalhar a nossa energia, a nossa mente, a nossa saúde.

Qual a diferença entre o Daniel do início da carreira e o de hoje?
A diferença do Daniel do início da carreira e o de hoje é o amadurecimento. É aquela coisa de você não ir com tanta sede ao pote, pensar um pouco mais para realizar alguma coisa, ter um pouco mais de calma e fazer com mais maestria, principalmente cantar, que com o passar do tempo fui amadurecendo. Não digo que aprendi muito mais, mas acho que me aperfeiçoei, me moldei com o passar do tempo. É chegar a um estágio que acho legal pra mim mesmo quando me ouço cantar. É um Daniel maduro, com uma cabeça diferente de antes.

Como foi participar dessa edição do The voice com pessoas com mais de 60 anos?
Tive a honra de receber o convite do programa e, para mim, tem sido um presente. A vivência, a experiência que estou tendo com essas pessoas de 60 anos ou mais. Toda a bagagem que eles trazem de aprendizado, isso não tem preço. O The voice+ é mais um presente para mim.

Você se surpreendeu de alguma forma com as escolhas dos participantes, seja no resgate de clássicos ou na escolha de músicas contemporâneas?
Fico fascinado com cada canção executada no The voice+. É um repertório que muitas vezes não se ouve com tanta frequência. São clássicos da nossa música que muitos jovens não conhecem ainda. Acaba sendo um resgate incrível para todos nós e é aí que a gente aprende, recorda e tem a chance de mostrar para o jovem canções de muito sucesso.

O The voice+ tem mostrado ao público que é possível reinventar-se e realizar sonhos depois dos 60 anos. Você acha que ao completar 60 anos vai se reinventar?
Exatamente! O The voice+ tem sido tudo isso. Tem demonstrado que não há momento para recomeçar, para iniciar uma grande história. Os sonhos não envelhecem. Eu quero poder estar assim quando eu chegar nos meus 60 anos, se Deus quiser. Poder me reinventar, poder recomeçar, começar uma etapa de vida diferente, estar saudável e poder fazer aquilo que eu mais amo fazer que é cantar. A música nos renova, nos faz renascer, nos faz viver tudo isso. Então quero estar bem de corpo, alma e mente.

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