Lives

Banda Tuyo se junta à poetisa Kimani no projeto ‘Slam papo de poeta’

Por meio de bate-papos com convidados, o projeto ‘Slam papo de poeta’ faz uma excursão pela poesia do Norte e Nordeste do Brasil

Isabela Berrogain*
postado em 26/04/2021 16:17
 (crédito: Sergio Silva)
(crédito: Sergio Silva)

A banda Tuyo e a poetisa Kimani se unem no projeto Slam papo de poeta, uma série de lives, realizada toda segunda-feira às 20h no Instagram do grupo, com o objetivo de conectar perspectivas em conversas sobre a arte de organizar as palavras. Durante o mês de abril e maio, Lio, integrante da Tuyo, e Kimani fazem uma excursão pela poesia do Norte e Nordeste do Brasil, por meio de bate-papos com escritores das regiões.

Em entrevista ao Correio, Lio conta como surgiu o envolvimento do grupo com o slam. “Dentro da Tuyo, a gente tem um relacionamento próximo com movimentações que empurram o nosso público para universos literários há muito tempo. Em algum momento do ano retrasado, a gente já tinha sonhado com esse movimento de conseguir fazer esse grande mix entre o que acontece nos espetáculos da Tuyo e o que acontece num momento de slam, quando um poeta começa a declamar. Quando a gente viu o link entre as coisas, a gente achou que a sensação era muito parecida”, explica.

Já para Kimani, o slam faz parte do dia-a-dia há mais de quatro anos. No entanto, mesmo com o longo período de experiências e vivências na cena, o projeto tem sido um momento de grande aprendizado para a poetisa.“Quando eu estou apresentando [as lives], eu estou aprendendo muito, está sendo uma troca. A Kimani ainda tem muito o que aprender, existem várias outras coisas da vida que eu preciso me desconstruir, que eu preciso reconstruir, que eu quero me firmar”, pontua.

Apesar de pertencer a uma arte elitista como a literatura, o slam é visto como uma forma de democratização da poesia. “A literatura é uma tecnologia para a elite e eu sinto que o slam é o ‘hack’ nesse sistema, nessa lógica, porque é palavra escrita, é poesia e é um artefato das elites sendo distribuído gratuitamente na rua por qualquer pessoa que tenha um corpo”, afirma Lio.

“O slam lá em Chicago, quando começou tudo, era uma coisa extremamente elitista. Na França, só quem paga ingresso consegue entrar para assistir os slams. Então acho que isso é muito uma coisa do brasileiro, de falar ‘vamos fazer ali no trem? Vamos fazer ali no metrô? Vamos fazer numa praça?’, que está cheia de crianças que minimamente estão sendo procuradas pelo tráfico”, complementa Kimani.

Entre os próximos convidados, se encontram os poetas Luna Vitrolira, Bell Puã, Amém Ore, Bicha Poética e Mateus MB. “Às vezes, em alguns estados, os poetas não têm o retorno que a gente tem em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo. A galera do Rio está na Malhação, no Poesia Acústica, aqui em São Paulo a gente está em capa de revista representando uma marca. Já em outros lugares, é muito difícil alguém ser remunerado dentro do slam, então isso foi bem importante na hora em que eu tive que pensar nos convidados”, pontua a poetisa.

“O objetivo principal é pôr em holofote a pessoa em si, a trajetória dela independente dos caminhos que ela tomou para chegar até o slam ou para se compreender enquanto artista”, finaliza Lio.

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

 

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