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No Dia Internacional do Jazz, conheça músicos do DF que investem no gênero

Na data em homenagem ao gênero musical que conquistou o mundo, o Correio apresenta a trajetória de músicos que colocam o jazz na história da capital federal

Fernanda Gouveia*
postado em 30/04/2021 06:00
Brasília tem um grande leque grande de iniciativas e músicos que trabalham com o gênero, como os artistas do Brasília Samba Jazz -  (crédito: Renata Samarco/Divulgação)
Brasília tem um grande leque grande de iniciativas e músicos que trabalham com o gênero, como os artistas do Brasília Samba Jazz - (crédito: Renata Samarco/Divulgação)

O jazz é uma manifestação artístico-musical nascida entre os anos 1890 e 1910 nos Estados Unidos. Como possui diversas vertentes, não é possível definir o jazz como um ritmo único, afinal, ele tem origem na música negra popular norte-americana e se consolidou por meio da criatividade de artistas que dão camadas e mais camadas sonoras a esse gênero. É diversa a alma do jazz. Criado pela Unesco, 30 de abril se tornou o Dia Internacional do Jazz, para destacar a importância do gênero musical e a sua contribuição na promoção de diferentes culturas ao longo da história.

A primeira forma do jazz foi o swing, na década de 1930, que é caracterizado pela improvisação. Uma das principais referências desse estilo é Louis Armstrong, cantor e instrumentista que foi considerado a “personificação do jazz”. Nos anos 1940, o estilo bebop surgiu com uma proposta de melodias ágeis e velozes que se pareciam com o som produzido pelos martelos na construção de ferrovias nos Estados Unidos.

A partir de então, nasceu o cool jazz, que teve grande aprovação do público, o free jazz, que representou uma fase experimentalista, e o fusion, marcado pela incorporação de elementos de outros estilos musicais, como o rock, o funk e o pop. Essa mistura de sons deu origem ao jazz contemporâneo, estilo variado que tem grande destaque ao redor do mundo.

No Brasil, a Bossa Nova, ritmo do fim da década de 1950 que ficou conhecido como um movimento de renovação do samba, foi altamente influenciada pelo jazz. Assim, o país se tornou referência de produção musical desse estilo, com nomes importantes como Tom Jobim, João Donato e João Gilberto, além de compositores como Marcos Valle e Luiz Bonfá, que contribuíram com temas considerados importantes no jazz em escala global.

Na capital do país, a Escola de Música de Brasília (EMB) e a Universidade de Brasília (UnB) formam músicos de jazz que são referências para todo o Brasil. Além disso, artistas criam grupos com o objetivo de recuperar o espírito da manifestação musical e exaltar a contribuição brasileira para o jazz. Conheça alguns desses artistas:

Brasília Samba Jazz
Criado em 2017 pelo baterista Sandro de Souza, referência do jazz na cidade, e pela cantora e violonista Ana Beatriz, o grupo Brasília Samba Jazz tem o objetivo de resgatar a música brasileira dos anos 1960 por meio do subgênero samba jazz, que emergiu no âmbito da Bossa Nova. Dessa forma, o grupo não possui integrantes constantes, justamente para promover o coletivo de diferentes artistas da capital e do Brasil. “Brasília é uma cidade muito miscigenada, tem gente de todos os estados, e é possível perceber que todas essas pessoas conhecem um pouco de Bossa Nova. Quando elas ouvem a gente tocando, recebemos feedbacks muito positivos, tanto das pessoas mais velhas, quanto das mais novas, que acabam curtindo o ritmo”, relata Ana Beatriz. Além disso, a cantora exalta a importância de escolas de música incentivarem os aprendizes a tocarem as músicas nacionais, para que as raízes da Bossa Nova não se percam.

Funqquestra
O baterista Bruno Gafanhoto, formado em música pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Jazz Performance pela Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, criou a Funqquestra em 2012. O músico decidiu unir a improvisação do jazz com os ritmos de funk, pop e música brasileira. Assim, o coletivo conta com duas baterias, algo incomum em uma orquestra convencional, e se consolidou em 2013. “Mesmo a Funqquestra não sendo propriamente uma banda de jazz, se não fosse a minha relação com esse gênero, que está totalmente embebido no conceito da banda, a Funqquestra não aconteceria”, diz Bruno. O coletivo, que sempre conta com oito pessoas no palco, possui mais de 20 integrantes que se alternam entre os shows. A maioria dos músicos é de Brasília, mas também há artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O Buraco do Jazz
Gustavo Frade é o criador e organizador do projeto Buraco do Jazz, que leva o gênero musical em formas variadas para um palco ao ar livre no Parque da Cidade. Apaixonado pela música do improviso, o produtor ressalta a qualidade dos músicos da capital. “A maioria dos que tocam jazz hoje, em Brasília, veio da EMB e o restante tem no currículo a UnB. Qualquer um pode falar dos músicos de Brasília, mas uma coisa é notória: a qualidade do som que eles extraem dos instrumentos. Jazz é um estilo difícil, o improviso, a sacada, a pessoa tem que saber a hora de entrar nesse gênero”. Além disso, Gustavo acredita que o Dia Internacional do Jazz mostra a necessidade da cultura para o equilíbrio mental. “A cultura é indispensável e o jazz mostra isso em suas centenas de faces e vertentes, o músico que sobe no palco não é o mesmo músico que desce. As pessoas que entram no nosso evento, a partir das 18h, não são as mesmas que saem à meia-noite”, relata o produtor. Os eventos do Buraco do Jazz foram suspensos em decorrência da pandemia de covid-19.

Renato Vasconcellos
O pianista, conhecido pela clássica composição Suíte Brasília, mora na cidade desde 1974 e possui uma relação de longa data com o jazz, tendo começado a ouvir com 12 anos e a tocar com 17. Mestre pela Universidade de Louisville, em Kentucky, nos Estados Unidos, Renato também é professor da UnB, onde leciona música brasileira e concepção improvisatória do jazz. O artista considera que, por ser brasileiro e participar de diferentes associações que reúnem músicos do gênero de todo o mundo, ele trabalha com o fusion, vertente do jazz que mistura diferentes ritmos. Além disso, exalta o desempenho e a qualidade dos artistas de jazz da cidade. “Pela experiência que eu tenho de tocar com artistas do mundo inteiro, eu acho que os músicos daqui de Brasília são do mesmo nível”.

Marlene Souza Lima
A guitarrista de jazz Marlene Souza Lima também é compositora e arranjadora. Nascida no Rio de Janeiro, a artista se mudou para a capital nova e estudou na Escola de Música de Brasília, onde teve aulas com músicos importantes como Paulo André Tavares, Nelson Faria e Paulo Bellinati. Marlene considera que o jazz, por meio da improvisação, representa uma forma de se expressar que faz bem para a alma. “É uma música que ainda é viva, ela surgiu de um movimento que veio dos negros norte-americanos e se trata de ligações de ritmos com a improvisação. Esse tipo de trabalho para um movimento musical nunca pode ser esquecido”. Além disso, Marlene identifica o seu trabalho como um “brazilian jazz”, justamente por muitas vezes unir as vertentes de cool jazz e jazz contemporâneo com a música brasileira. Para conhecer o trabalho da artista, é possível acessar o canal do YouTube de Marlene Souza Lima. Recentemente, ela realizou três lives, duas de Bossa Nova e uma em homenagem ao jazz.

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

Para comemorar

Pontão do Lago Sul
O complexo de gastronomia e entretenimento vai comemorar o Dia Internacional do Jazz com uma apresentação sunset ao ar livre. Hoje, das 17h30 às 18h30, na plataforma localizada ao lado do restaurante Same Same, o saxofonista Mesaque Balbino vai tocar sucessos do gênero. O espetáculo é gratuito e aberto ao público, respeitando todos os protocolos de distanciamento necessários no momento. Endereço: SHIS QL 10, Lote 1/31 – Lago Sul. Informações: 61 3364-0580 / pontão@pontaodolagosul.com.br ou www.pontao.com.br

Casa Thomas Jefferson
O evento promovido pelo centro de língua inglesa Sextas Musicais vai homenagear o Dia Internacional do Jazz por meio de uma live nesta sexta-feira (30/4), às 20h. O repertório será composto de clássicos que marcaram a história desse gênero musical com uma apresentação cronológica desses temas. A formação contará com Jhoninha Medeiros (contrabaixo e tuba), Marcos Santos (trompete), Jeferson Alves (piano), André Braz (bateria) e Fernanda Rabelo (voz). A live será transmitida pelo canal do YouTube da Casa Thomas Jefferson: youtu.be/KGq-RfIxR8k

Gente nossa em Sampa

(Por Irlam Rocha Lima)

Pluralidade é a marca registrada do Sampa Jazz Festival, que ocorre hoje para celebrar o Dia Internacional do Jazz. No formato on-line, o evento, tem direção artística de Daniel Nogueira. Todos os shows foram previamente gravados, seguindo os protocolos de segurança e orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), para prevenção da covid-19.

Com início às 19h, a programação será aberta por Hamilton de Holanda, que presta tributo a Tom Jobim. Para o show, o bandolinista e compositor que iniciou a carreira em Brasília, celebrado nacional e internacionalmente, criou versões instrumentais para clássicos da obra do Maestro Soberano. “Em minhas apresentações, principalmente no exterior, nunca deixo de tocar composições de Tom Jobim, como a canção símbolo da Bossa Nova, Chega de saudade. Num disco que gravei na Itália, inclui Samba do avião”, conta. “No Sampa Jazz Festival vou tocar também, entre outras, Boto, Desafinado e Se todos fossem iguais a você”, adianta o instrumentista.

Representantes da vanguarda e da tradição da MPB, o compositor, pianista, arranjador e cantor João Donato e a cantora e compositora Tulipa Ruiz são outras atrações do Sampa Jazz Festival. Eles levam para o festival o repertório do álbum que gravaram em 2019, intitulado Tulipa Donato. Gravidade zero, primeira parceria dos dois, é uma das faixas desse trabalho, que não pôde ser lançado em show presencial, por causa da pandemia. Os shows serão transmitidos via streaming no YouTube, a partir das 19h.

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