MERCADO

Tecnologia NFT impulsiona trabalho de artistas independentes em Brasília

Tendência dos Non-Fungible Tokens (NFTs) — tokens não fungíveis, em tradução livre — permite comercialização de trabalhos ou mídias digitais. Para quem as adquire, obras ficam disponíveis em formato único e não replicável

Pedro Ibarra*
postado em 04/05/2021 06:00
Marvin Costa: novo enfoque na carreira depois dos NFTs -  (crédito: Rui Rodrigues/Divulgação)
Marvin Costa: novo enfoque na carreira depois dos NFTs - (crédito: Rui Rodrigues/Divulgação)

Manter uma carreira artística é sempre complicado. Contudo, os Non-Fungible Tokens (NFTs) — tecnologia de autenticação usada para venda de arte digital — apareceram no mercado como oportunidade de uma nova fonte de renda para artistas, principalmente independentes. Apostando nessa tendência, o músico Marvin Costa, carioca residente em Brasília, fez do novo single, Gatilhos, um lançamento conjunto e, além da música, disponibilizou uma galeria de artes em NFT para venda.

A ideia de Marvin era aproveitar que o assunto estava em alta, para poder ter um maior alcance da nova obra. Com a música, lançada no YouTube, ele também disponibilizou em uma galeria na plataforma Opensea, de venda de arte digital em NFT, um pacote com os samples (bases) usados para compor a canção e uma série de artes exclusivas, com composições inéditas e participação de artistas visuais como Nancy Silva, Julio Glatt e Bolívar. A aposta deu certo e, pouco tempo depois do lançamento da galeria, Marvin vendeu a primeira arte pelo valor de 0,1 ethereum, em torno de R$ 1.600 na conversão atual da moeda digital.

“Com uma venda, foi possível cobrir os custos do lançamento”, conta o músico. Ele afirma que essa é uma oportunidade muito boa para artistas independentes, que antes dependiam muito do sucesso para ganhar dinheiro, e hoje, com apenas uma arte, podem começar a lucrar, sem depender de vendas de CDs ou desempenho em plataformas de streaming. “O artista independente não tem fonte de 100% de retorno do trabalho dele. O que ganhei com a obra que vendi (NFT), eu não ganharia no Spotify, mesmo estando na plataforma com outros projetos anteriormente”, pontua Marvin em entrevista ao Correio.

Para o artista, este ainda não é o ponto final dos NFTs, ele acredita que a tecnologia ainda deve se desenvolver muito. “É algo tão novo e está mudando tanto, em tão pouco tempo, que até quem entende do assunto tem que ficar antenado, lendo o tempo todo sobre”, explica o compositor. “Um universo muito grande que vai abrir, a música está entrando aos poucos, mas há futuro”, completa.

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

 

 

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