Jornal Correio Braziliense

Brasília na Índia

Exemplo prático de que os meios digitais de streaming ampliam o acesso ao cinema está no curta-metragem Castigo, que, realizado por estudantes da Universidade Católica de Brasília, alcançou premiação internacional na Índia. No começo do mês, o curta venceu o prêmio central do 1º Gona Film Awards, em Sivaganga. “Quem gosta de ir à sala de cinema, como eu, vai sempre continuar indo, pagando ingresso e tendo a experiência.

Mas, em um momento como o desta pandemia, se não fosse o digital, festivais não transcorreriam, e um filme como o nosso não poderia ser assistido em lugar algum do mundo. Graças a essas plataformas fomos a todos os continentes”, conta o diretor Iago Kieling.

Receber um prêmio em um festival num país como a Índia é saber que o trabalho coletivo tem valorização, explica Iago, que pretende, até o fim de 2021, seguir a trajetória dos festivais com Castigo. Ator da cidade, Lúcio Campello, premiado na Argélia pelo trabalho na obra reforça: “É muito gratificante ver jovens tão aplicados nas artes. Eles têm garra, e realizam. Produção independente sempre vem de força de vontade, e o retorno (com prêmios) se revela uma consequência natural”.

Monólogos

Filme universitário, Castigo trata de adaptar a obra Crime e castigo (1866), do russo Dostoiévski, para uma realidade nacional. Rodado em Samambaia, Taguatinga e no Plano Piloto, exigiu fortes monólogos internos para o ator central, por não ter diálogos. “Cada olhar era carregado de intenções. Concentrei na carga de tristeza, drama, angústia e revolta, num roteiro paralelo, cheio das intenções do personagem”, conta Lúcio Campello.

Receber um prêmio, ainda, fora do Brasil emocionou o produtor Caio Almeida. “Em todos os festivais da Índia que participamos tinham outros filmes brasileiros, percebemos que eles são muito abertos para o cinema independente do Brasil”, conta.